Rio de Janeiro, 22 de Fevereiro de 2026

Três geneticistas ganham Nobel de Medicina

Segunda, 08 de Outubro de 2007 às 14:18, por: CdB

Três geneticistas venceram o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia por conseguir isolar o papel de milhares de genes no desenvolvimento de problemas de saúde, por meio da simulação de doenças humanas em ratos de laboratório.

Os americanos Mario Capecchi e Oliver Smithies e o britânico Martin Evans desenvolveram uma técnica que está sendo aplicada em praticamente todas as áreas da biomedicina - desde pesquisa básica até o desenvolvimento de novos tratamentos.

A técnica permitiu que eles replicassem doenças humanas como câncer e diabetes em ratos ao introduzir códigos genéticos nas células-tronco dos animais.

De acordo com o comitê do prêmio, do Instituto Karolinska, as descobertas dos três geneticistas "levaram a várias novas visões de condições como câncer e doenças cardíacas". A técnica também ajudou a avançar na compreensão do processo de envelhecimento e no desenvolvimento do embrião no útero da mãe.

Ela pode ser utilizada para estudar praticamente qualquer aspecto da fisiologia dos mamíferos.

'Nocaute' genético

A técnica é geralmente descrita como um "nocaute" genético, que permite que cientistas tornem inativos certos genes e monitorem os efeitos da ação, o que leva à construção do quadro do desenvolvimento da doença.

Até o momento, mais de 10 mil genes de ratos (cerca de metade do total do genoma dos mamíferos) foram "nocauteados" e o resto deve passar pelo mesmo processo em um futuro próximo.

O resultado são mais de 500 modelos de doenças humanas, incluindo problemas cardiovasculares e neurodegenerativos, diabetes e câncer. Os três cientistas vão dividir um prêmio de US$ 1,54 milhão (cerca de R$ 2,8 milhões).

Capecchi, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, utilizou a tecnologia para descobrir o papel dos genes envolvidos no desenvolvimento dos órgãos e no plano geral do corpo.
Martin, da Universidade de Cardiff, no País de Gales, se especializou na doença hereditária fibrose cística.

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