Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

Tremor deixou 5.335 crianças mortas ou desaparecidas na China

Quinta, 07 de Maio de 2009 às 08:29, por: CdB

A China estimou na quinta-feira em 5.335 o número oficial de crianças em idade escolar que morreram ou desapareceram por causa do terremoto do ano passado na província de Sichuan. A cifra é bem inferior ao número compilado pela imprensa na época.

Muitos pais dizem que seus filhos foram vítimas de construções escolares precárias, já que prédios de apartamentos e órgãos públicos permaneceram de pé, enquanto escolas próximas desabaram.

Ao todo, o terremoto de 12 de maio de 2008 matou cerca de 80 mil pessoas. Uma compilação de relatos da agência Xinhua e de jornais locais na época do tremor colocava o número de alunos e professores mortos e desaparecidos em cerca de 9.000.

Ai Weiwei, célebre artista e arquiteto que vem compilando seu próprio número de estudantes mortos, disse à Reuters que não acredita nas cifras do governo.

– Primeiro, esses números estão longe de refletir a realidade. Segundo, são irresponsáveis – disse ele por telefone.

Na estimativa dele, deve haver cerca de 7.000 estudantes mortos.

– (As autoridades) não realizaram uma pesquisa adequada. Isso se reflete de forma ruim na credibilidade do governo – completa.

Tu Wentao, secretário de Educação de Sichuan, disse que 3.340 escolas precisaram ser reconstruídas depois do terremoto.

– A província de Sichuan prometeu ter 95% dos estudantes de volta aos prédios escolares, e não em tendas ou estruturas pré-fabricadas, até o final deste ano – disse a agência Xinhua.

Alguns pais que protestaram contra a estrutura precária dos prédios escolares acabaram sendo intimidados ou presos.

Jornalistas estrangeiros também foram alvo de perseguições. Nesta semana, o Clube dos Correspondentes Estrangeiros na China disse ter registrado três casos de repórteres que foram atacados em Sichuan.

"Devido à violência dos encontros e de um aparente aumento na frequência dos relatos, parece que a situação está se tornado mais volátil, e aconselhamos cautela extra ao visitar essas áreas", disse nota da entidade.

Hou Xinongfei, porta-voz do governo regional, disse que as autoridades não receberam nenhuma queixa, e acusou alguns jornalistas de criarem problemas.

– Certamente um pequeno número da mídia estrangeira veio à zona de desastre não para reportar, mas para tumultuar as coisas. Alguns repórteres faziam aos sobreviventes perguntas como 'Por que vocês não se organizam e enfrentam o governo?' – disse Hou à Xinhua.

– Que país ou governo daria as boas-vindas a esse tipo de jornalista? – questionou.

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