Bandidos da Favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, dispararam tiros contra dois vagões do trem em que estavam o ministro dos Portos, Pedro Brito, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, e o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, além de representantes da empresa que administra a linha, a MRS Logística. O ataque aconteceu por volta das 9h desta segunda-feira durante a viagem de reconhecimento do trecho de revitalização da linha que dá acesso ao Porto do Rio.
O governador Sérgio Cabral não estava na composição alvejada. Ele e os ministros foram orientados por medida de segurança a não percorrerem o trajeto, que passa por pelo menos duas favelas (Parque Alegria e Jacarezinho). Cabral então participou da inauguração na Rua Monsenhor Manoel Gomes 370, Caju, e seguiu de helicóptero para o Palácio Guanabara. Já os ministros insistiram em participar da viagem.
Ninguém ficou ferido, mas houve pânico entre os passageiros. Segundo a polícia, cerca de quatro rapazes que aparentavam ser menores de idade fizeram os disparos a cerca de dois metros do trem, de cima da lage de um barraco da favela. Os passageiros foram orientados pelos policiais e seguranças presentes a se jogarem no chão para se proteger dos tiros. Na volta para o Porto, mais disparos foram feitos. O clima é tenso no local.
O ministro Márcio Fortes minimizou o ocorrido em entrevista à Rádio CBN e o classificou de "episódico". Ele disse que, assim como o ministro Pedro Brito, está acostumado a freqüentar comunidades carentes e que apenas se abaixou na viagem de volta, por recomendação dos seguranças. Márcio Fortes ressaltou a importância da obra, afirmando que é de grande importância econômica e social.
Viaturas e um carro blindado da Polícia Militar estão em alguns acessos à Favela do Jacarezinho. Não há tiroteio e o clima é de aparente tranqüilidade. Ainda não se sabe se haverá operação no morro.
Ao comentar o episódio, que classificou de absurdo, o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse que o governador não viajou no trem por recomendação da Secretaria. Beltrame contou ter feito a mesma recomendação às demais autoridades.
- Houve recomendação à comitiva (para não passar por ali). Nós, como policiais, temos que recomendar as devidas cautelas para que as autoridades circulem por devidas áreas. E isso foi feito - afirmou o secretário.