Batizado no Ministério dos Transportes de TBB - trem-bala brasileiro - o trem de alta velocidade ligando São Paulo ao Rio de Janeiro deve começar a sair do papel no ano que vem.
A idéia de uma ferrovia como esta interligando as duas cidades começou a ser estudada em 1997, quando foi constituído o consórcio Trasncorr, formado por empresas alemãs e brasileiras. O projeto que serve como base para a obra , no entanto, foi elaborado pela italiana Italplan e aprovado em abril pelo Tribunal de Contas da União.
De acordo com o plano, serão 403 km de trilhos ligando a estação da Luz, no centro de São Paulo, à Central do Brasil, no centro do Rio de Janeiro. A viagem deverá custar cerca de R$ 120 e será percorrida em cerca de uma hora e 25 minutos, a uma velocidade média de 285km/h.
— É uma obra muito positiva, sob vários pontos de vista. Cito como exemplos a integração econômica entre as cidades, especialmente com o porto do Rio de Janeiro, o fortalecimento do intercâmbio cultural e a possibilidade de uma melhora do ponto de vista ambiental, com a redução da circulação de ônibus entre as duas cidades. É uma solução muito usada em países da Europa — opina Nabil Bonduki, urbanista da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) e ex-vereador da capital paulista.
Estações
O projeto prevê ainda uma nova estação da Luz, anexa à atual, com dois pavimentos subterrâneos. O primeiro terá shopping center e auditório e o segundo bancos e plataformas de acesso aos trens. Na superfície, a estação terá áreas verdes e estacionamentos.
No Rio de Janeiro, a intervenção na Central do Brasil levará à extensão, em 400 m, da área de plataformas e à construção de shopping, bancos, agência dos Correios, estacionamento de dois andares e uma nova área de embarque e desembarque para táxis e ônibus.
Não constam paradas no projeto atual, mas especialistas como Pedro Taddei, ex-presidente da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), defendem pontos na região de São José dos Campos, no Estado de São Paulo, e Volta Redonda, no Rio. — São regiões que já têm capacidade instalada de cérebros, motivação empresarial e capitais para se aventurarem na economia do terceiro milênio. Se não tiverem meios de transporte e de comunicação compatíveis, o Brasil inteiro vai para trás —.
Projeto
O projeto da Italplan foi recomendado ao Ministério dos Transportes por um grupo de trabalho criado em julho de 2004 e venceu disputa com os consórcios Trasncorr e o formado pelas empresas Siemens, Odebrecht e Interglobal. O resultado saiu em abril de 2005.
A estimativa é que a obra, que deverá terminar em 2015, empregue cerca de 140 mil pessoas direta e indiretamente. Depois de pronto, o sistema será operado por cerca de 1,7 mil funcionários diretos. A concessão prevista é de 35 anos, durante os quais estima-se que serão arrecadados US$ 73,7 bilhões em impostos.
Alternativa
Além de ser uma alternativa à ponte aérea, a nova linha poderá dar impulso à criação de ferrovias semelhantes pelo País. Uma medida provisória, publicada em dezembro de 2005 autorizando a concessão da ferrovia, também autoriza outras duas linhas partindo de São Paulo. Uma com destino a Belo Horizonte e outra a Curitiba. Não há previsão de quando estas obras serão feitas.
— A construção significa também mudar um pouco a mentalidade. No Brasil, há décadas, o transporte ferroviário está praticamente estagnado — diz Bonduki. A última linha ligando as capitais paulista e carioca foi a do Trem de Prata, que funcionou com caráter turístico entre 1994 e 1998.