Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Trégua entre EUA e líder xiita suspende batalhas em Najaf

Quinta, 27 de Maio de 2004 às 12:13, por: CdB

A trégua proposta pelo líder iraquiano xiita Moqtada al-Sadr e aceita pelos Estados Unidos na quinta-feira prevê a suspensão dos ataques norte-americanos para que o Exército Mehdi, liderado por Sadr, se retire da cidade sagrada de Najaf.

O porta-voz da coalizão Dan Senor anunciou nesta quinta que os EUA aceitariam a trégua, depois de um dia de incertezas sobre a proposta de cessar-fogo. Ele afirmou que os soldados norte-americanos recuariam para suas bases, mas continuariam patrulhando a cidade até que a polícia iraquiana e outras forças locais pudessem garantir a segurança.

Mas as autoridades norte-americanas estavam resisitindo à condição imposta por Sadr de que a ordem de prisão contra ele, num caso de homicídio, fosse retirada.

"Estamos otimistas, mas cautelosos. É um bom primeiro passo", disse Senor numa entrevista coletiva.

"Assim que as forças de segurança iraquianas assumirem a responsabilidade pela segurança pública e restabeleçam a lei e a ordem, as forças de coalizão vão se reposicionar em suas bases fora de Najaf, mantendo unidades de proteção nos escritórios da Autoridade Provisória da Coalizão, na sede do governo e nas delegacias da polícia iraquiana".

"Até lá as forças de coalizão vão suspender as ofensivas, mas continuarão a dar segurança através de patrulhas. Durante todo o processo as forças de coalizão se reservam o direito inerente de autodefesa."

Se funcionar, o acordo com o jovem líder religioso porá fim a uma das maiores preocupações dos Estados Unidos antes da transferência de soberania para os iraquianos, em 30 de junho.

Ainda não se sabe se a trégua significa o fim das ambições políticas de Sadr ou uma tentativa de sobreviver e manter suas forças intactas, de modo a influenciar o curso da política iraquiana pós-ocupação.

Propostas anteriores de cessar-fogo tinham sido rejeitadas pelos comandantes norte-americanos.

Centenas de integrantes do Exército Mehdi abandonaram suas posições na frente de batalha, onde sofreram grandes baixas nas últimas semanas. Muitos embarcavam armas pesadas em caminhões, enquanto mantinham seus fuzis.

Três membros xiitas do Conselho de Governo do Iraque, incluindo Ahmad Chalabi, negociaram com assessores de Sadr. Chalabi, um ex-protegido dos EUA que vinha criticando a ação norte-americana em Najaf, disse que deve haver mais negociações com comandantes da 1a. Divisão Blindada dos EUA.

Sadr concordou que os combatentes que não fossem de Najaf voltassem para casa, e em troca pede que a ordem de prisão contra si seja suspensa.

"Para encerrar a trágica situação em Najaf e a violação de locais sagrados, anuncio minha concordância ao que segue: o fim de todas as demonstrações armadas, a retirada dos prédios de governo ... e a retirada de todos os combatentes do Exército Mehdi", disse Sadr.

Depois da prisão de um dos principais líderes de Sadr na quarta-feira, Najaf havia passado a primeira noite sem grandes combates em muito tempo.

No restante do Iraque, a violência continua. As Forças Armadas dos EUA disseram na quinta-feira que três marines morreram no oeste do país no dia anterior.

A Grã-Bretanha, maior aliada dos EUA, anunciou que vai mandar mais 370 soldados o país, elevando seu total no sul do Iraque para 8.900.

O levante liderado por Sadr contra a ocupação, iniciado no início de abril, dividiu as opiniões entre os xiitas, que compõem 60 por cento da população iraquiana.

Milhares de jovens se uniram à causa de Sadr por inspiração religiosa e centenas foram mortos. Mas o modo como as batalhas ocorreram, utilizando santuários sagrados, desagradou aos mais tradicionais.

Um portal da mesquita do imã Ali sofreu alguns danos esta semana, o que causou revolta entre os religiosos.

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