O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba determinou a quebra do sigilo bancário de secretários do governador Cássio Cunha Lima (PSDB) como parte da investigação sobre suposta compra de votos e abuso de poder econômico durante a campanha eleitoral pela reeleição do tucano.
O corregedor regional eleitoral, Carlos Lisboa, pediu a quebra do sigilo bancário do secretário de Administração, Gustavo Nogueira, do secretário executivo da Controladoria Geral do Estado, Nilo Feitosa, do diretor da gerência de administração da Controladoria, Gláucio Medeiros, e do empresário Francisco Evangelista Júnior.
O fato que gerou a ação, elaborada pela coligação do candidato derrotado José Maranhão (PMDB), foi uma apreensão feita pela Polícia Rodoviária Federal em 26 de outubro de 2006.
Na data, a PRF recebeu denúncia anônima e apreendeu, em Bayeux (região metropolitana de João Pessoa), R$ 42,9 mil em dez envelopes com nomes de políticos do interior do Estado e sete CDs com a inscrição "Cássio 45" na capa. O dinheiro estava em um carro com Gláucio Medeiros e com o motorista Reinaldo da Silva. Em seus depoimentos ao TRE, Medeiros e Silva relataram que o secretário executivo da Controladoria Geral do Estado, Nilo Feitosa, na época afastado do cargo para se dedicar à campanha, foi quem repassou o dinheiro para cobrir despesas de campanha no interior do Estado.
Feitosa, por sua vez, disse em depoimento que o cheque de R$ 45 mil, destinado a pagar as despesas, não pôde ser descontado em uma agência do banco Itaú porque já estava fechada. Assim, de acordo com Feitosa, o empresário Evangelista se dispôs a trocar o cheque por dinheiro, em sua casa, o que foi autorizado pelo atual secretário de Administração, Gustavo Nogueira, na época coordenador da campanha de Cunha Lima.
No despacho, que pede a quebra de sigilo bancário dos secretários, o corregedor determina ainda a quebra de sigilo fiscal e bancário da empresa de veículos que locou o carro no qual o dinheiro foi apreendido e convoca o gerente do Itaú e os sócios da locadora como testemunhas. A ação passa a correr em segredo de Justiça.
Segundo o advogado de Cunha Lima e de defesa nessa ação, Deslomar Mendonça, o dinheiro apreendido foi declarado na prestação de contas de campanha.
- O tribunal havia entendido que não houve abuso de poder econômico, e agora o corregedor quer recomeçar as diligências. Entendemos que isso é uma tentativa de chamar a atenção da imprensa para esse fato que já estava encerrado - afirmou.
O advogado disse que vai entrar nesta quarta-feira com um mandado de segurança para tentar impedir a quebra dos sigilos bancários.