O cérebro restabelece conexão com a mão esquerda muito mais rápido do que com a direita, nos casos de transplante das duas mãos, de acordo com cientistas franceses.
Um estudo realizado com dois pacientes, ambos destros antes de perder as mãos, mostra que eles seguiram um padrão de conexão no qual o cérebro foi mais rápido com a mão esquerda.
O trabalho, encabeçado por Angela Sirigu, do Centro de Neurociência Cognitiva da Universidade de Lyon, na França, é descrito na edição desta terça-feira, 7, do periódico Proceedings of the National Academy of Science.
A pesquisa mostra que, mesmo anos após a perda das mãos, o cérebro continua capaz de se reorganizar para reconhecer e conectar-se a membros transplantados.
A equipe usou ressonância magnética para estudar o cérebro de pessoas que haviam perdido ambas as mãos e ver como a região motora, que controla o movimento, respondia após o implante de mãos novas.
O primeiro caso envolveu um homem de 20 anos, ferido em 2000, que recebeu os transplantes em 2003, depois de ter usado próteses por algum tempo.
Ele passou por exames periódicos e os pesquisadores descobriram que seu cérebro restabelecera conexões nervosas para controlar a mão esquerda em 10 meses, enquanto que foram necessários 26 meses para completar a conexão da mão direita.
– A despeito do paciente ter sido destro e de que, após a amputação, ter usado a prótese preferencialmente na mão direita, a preferência de mão mudou da direita para a esquerda depois do enxerto –, informam os cientistas.
O segundo paciente estudado tinha 46 anos quando perdeu as duas mãos em 1996, e recebeu o transplante duplo em 2000. Ele foi testado pelos cientistas em 2004, 51 meses após a cirurgia. Fortes conexões com o cérebro foram detectadas na mão esquerda, mas não na direita.
Os pesquisadores dizem que serão necessários mais estudos para determinar o que leva o cérebro a conectar-se de forma mais eficiente com a nova mão esquerda no caso desses pacientes.