Estatísticas do Detran-Rj apontam mais uma diferença entre homens e mulheres. Números mostram que, proporcionalmente, homens e mulheres cometeram praticamente o mesmo número de infrações em 2004. NO entanto, ana hora de examinar os casos específicos as diferenças aparecem.
Segundo o Detran, em 2004 as carteiras de habilitação estavam assim distribuídas entre os motoristas do Rio de Janeiro: 2.512.737 para os homens, 897.334 para as mulheres. São 2,8 homens, em média, para cada mulher.
Agora, as multas. No ano passado, o Detran aplicou 2,2 milhões. Muitas dessas infrações são cometidas por veículos registrados em nome de pessoas jurídicas, e aí não dá para saber o sexo do infrator. O Detran conhece o sexo dos responsáveis por 921.542 das infrações. Destas, 675.255 foram cometidas por homens e 246.287, por mulheres. São 2,741 multas para os homens, em média, para cada multa para as mulheres.
Proporcionalmente, portanto, as mulheres foram mais multadas. Mas não se pode dizer que a diferença confirme os velhos preconceitos sobre uma suposta incompatibilidade entre mulheres e automóveis. Pelo contrário: mostra que, na média, homens e mulheres cometem aproximadamente o mesmo número de infrações. No caso de algumas infrações específicas, no entanto, há variações significativas.
Quando se trata de excesso de velocidade, os homens lideram com folga as infrações. No ano passado, foram 28.798 multas para mulheres e 100.906 para homens por dirigir em velocidade superior em até 20% da permitida - uma proporção de 1 para 3,503, muito acima da proporção total de motoristas, que é de 1 para 2,8.
Homens também avançam mais o sinal do que as mulheres. Em 2004, foram 32.399 mulheres multadas por desobedecer sinal vermelho ou parada obrigatória e 100.290 homens, proporção de 1 para 3,095. Para a psicóloga Cynthia Clark, isso revela uma diferença natural entre os sexos.
- É da natureza do homem, por razões biológicas hormonais, de preservação da espécie, aceitar mais riscos. Excesso de velocidade e avanço de sinal são infrações arriscadas, e por isso são mais cometidas pelos homens - afirma Clark, que é professora da Uerj.
Já a especialista em psicologia do trânsito Cristina Cláudia, que é do Detran, diz que é preciso cuidado na hora de analisar este tipo de estatística, mas aponta algumas razões culturais para as diferenças.
- A princípio, a mulher tem um compromisso maior com a educação, com a formação. O homem tem uma relação mais próxima com o poder, o que se reflete em toda formação dele - afirma.
Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026
Edições digital e impressa