Os países-signatários do Protocolo de Cartagena sobre biossegurança decidiram estender por mais seis anos, até 2012, o prazo de transição para a identificação clara de substância transgênica em cargas destinadas à exportação. A redação final abre possibilidade para revisão dessa regra, caso a experiência de alguns países demonstre que a identificação é inviável. O afrouxamento do prazo protela a adoção de regras rígidas para movimento de cargas transfronteiriças, incluindo as realizadas com países não-signatários, como os EUA. Nenhum dos participantes, porém, admitiu fracasso das negociações.
O texto do governo do Brasil que orientou o debate propunha limite de quatro anos para adaptação da informação. Ele defendia a progressiva adoção do termo "contém" organismo vivo modificado (OVM) até 2010.
A dilação foi resultado da pressão do México. Parceiro dos EUA e do Canadá no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), o país conseguiu abrandar, no texto final, a tentativa da maioria de exigir que países não-signatários do acordo seguissem as mesmas regras nas transações bilaterais. O documento serve apenas para "convidar" os não-signatários a adotar as regras do protocolo - o texto inicial propunha "exortar".
A ministra brasileira do Meio Ambiente, Marina Silva, fechou a reunião dizendo lamentar que a posição da maioria dos 132 membros do protocolo não tenha sido seguida. Para a socióloga Marijane Lisboa, da Associação de Agricultura Orgânica, os negociadores "fizeram tudo o que o México quis". O diretor de políticas públicas do Greenpeace, Sérgio Leitão, chamou de "chocho" o texto final.
Mesmo com a prorrogação do prazo, o governo brasileiro pretende abrir já linhas de crédito especiais para estimular produtores e exportadores a fazer a identificação clara do produto transgênico.