Deslizamentos de terra em Angra dos Reis, no litoral sul do Estado do Rio de Janeiro, mataram pelo menos 22 pessoas, a maior parte com a destruição parcial de uma pousada situada numa encosta da Ilha Grande, que faz parte da cidade, na madrugada desta sexta-feira. Segundo informações oficiais da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, equipes de resgates já retiraram 15 corpos dos escombros da pousada Sankay e de casas próximas que foram soterradas por toneladas de terra que se desprenderam do morro em direção ao mar, na região da praia do Bananal, na ilha. Esses números tendem a aumentar nas próximas horas.
No centro de Angra dos Reis, outros sete mortos foram confirmados após o deslizamento da encosta do Morro da Carioca, onde várias casas foram soterradas. O número de mortos pode subir em virtude das festas de fim de ano, quando turistas costumam lotar pousadas da cidade e da ilha, informou a Defesa Civil. Informações ainda não confirmadas e citadas pela Defesa Civil do Estado indicam que a pousada Sankay tinha cerca de 40 turistas hospedados no momento do acidente.
Contatos com a Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia de Angra dos Reis estão prejudicados pela queda de barreiras em vários pontos da cidade.
– É um quadro difícil, o presidente (Luis Inácio) Lula da Silva acabou de ligar, colocando a Marinha à disposição. As pessoas aqui falaram que nunca viram uma chuva como a que houve nessa madrugada – disse o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, em declarações à emissora GloboNews, referindo-se ao deslizamento da encosta em Ilha Grande.
Imagens da praia do Bananal transmitidas pela emissora Globo mostram uma grande faixa de deslizamento da encosta, onde ficavam a pousada Sankay e algumas casas, que foram totalmente destruídas. A água do mar ao redor está barrenta pelo volume de terra que se desprendeu do morro.
– Provavelmente a Sankay estava lotada, todas as pousadas de lá ficam lotadas nessa época do ano. O turismo é muito grande por lá – afirmou um dos assessores da assessoria de comunicação da Defesa Civil do Rio de Janeiro, aos jornalistas.
Barcos da Marinha e do Corpo de Bombeiros, bem como helicópteros e dezenas de homens de equipes de resgate estão trabalhando no local do deslizamento na ilha, cujo acesso só pode ser feito por mar ou ar.
– As equipes de resgate que trabalham lá dizem que há muita lama e barro ainda (sobre os escombros). Como a ilha não tem estrada, não há máquinas ou veículos pesados para ajudar na remoção da terra. O trabalho está sendo feito praticamente manualmente – acrescentou o assessor.
A cidade de Angra dos Reis decretou estado de emergência e luto de três dias pelas vítimas. A tradicional procissão marítima de Ano Novo, marcada para esta sexta-feira, também foi cancelada. Chove desde quarta-feira no Rio de Janeiro. Segundo dados da Defesa Civil atualizados até a tarde desta sexta-feira, há 44 mortos no Estado por causa das chuvas, incluindo as 22 vítimas fatais em Angra dos Reis.
As chuvas também causaram desabamento de encosta sobre a rodovia Rio-Santos, que está parcialmente interditada na altura de Paraty (RJ).