Guerrilheiros esquerdistas e ex-paramilitares de direita, outrora inimigos na guerra civil colombiana, mantêm atualmente uma perigosa aliança em torno do narcotráfico, disse na quarta-feira o diretor da polícia do país, general Oscar Naranjo.
De acordo com ele, várias frentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) estão aliadas com grupos armados ilegais integrados por antigos integrantes de grupos paramilitares de direita.
- O narcotráfico é o ponto de encaixe das quadrilhas, é o ponto de convergência de organizações em crise, é o ponto de convergência de organizações degradadas como resultado da pressão institucional - disse à Reuters o experiente policial, de 51 anos de idade e 32 de carreira.
- Eles sabem que a único coisa que torna possível a guerra na Colômbia, a sustentabilidade dessa violência indiscriminada, terrorista, são as finanças do narcotráfico - acrescentou, qualificando essa como uma "operação mafiosa".
- É uma aliança perigosa, desafiadora, que fala da degradação da violência, onde está claro que na Colômbia não há movimentos guerrilheiros insurgentes, há grupos terroristas valendo-se do narcotráfico para intimidar a população, para desafiar o Estado e produzir dano letal à comunidade internacional com o tráfico de drogas - disse.
Nos últimos meses, as Farc, principal guerrilha da América do Sul, sofreu duros golpes, com a morte de dirigentes em ações militares e traições - sem contar o enfarto que matou o fundador do grupo, Manuel Marulanda, o "Tirofijo".
Além disso, milhares de guerrilheiros desertaram das Farc nos últimos anos. A organização é considerada terrorista pelos Estados Unidos e pela União Européia.
Já o ELN tem escasso poderio militar, devido a sucessivas derrotas para o Exército e os paramilitares nos últimos anos, segundo fontes de segurança.
Embora o governo e os paramilitares tenham concluído uma negociação para desarmar mais de 31 mil deles, em várias regiões surgiram posteriormente grupos armados ligados ao narcotráfico e integrados por ex-"paras".
A Colômbia é o maior produtor mundial de cocaína (610 toneladas por ano), e essa atividade alimenta o conflito interno, segundo o governo.
Naranjo, que em seguida embarcou para uma cúpula da Interpol na Europa, declarou que a aliança entre guerrilheiros e ex-paramilitares está implícita para outros delitos, como o tráfico de armas.
Ele afirmou que os cartéis colombianos de cocaína se subordinaram aos mexicanos e estão sendo substituídos por "estruturas altamente móveis, que se deslocam pela América e a Europa, que podem fazer negócios em Cancún ou se situar em Cali ou Medellín, que podem estar no Panamá ou em Buenos Aires", disse.
- Já não há um princípio de controle territorial, o que se vê são alianças perversas de narcotraficantes que hoje se movem com uma visão globalizada do negócio das drogas - disse.
Segundo ele, os principais traficantes colombianos atualmente são Pedro Guerrero, o "Cuchillo" ("faca"), Daniel Rendón, o "don Mario" (ambos ex-paramilitares), e Daniel Barrera, o "loco Barrera", que há anos colabora com as Farc.
De acordo com o general, a maior parte da cocaína colombiana sai pela Venezuela e dali passa por depósitos na África antes de seguir para a Europa. Para o mercado norte-americano, há uma ligação marítima pelo Pacífico.