A adoção, o casamento forçado e a prostituição são os destinos mais freqüentes das vítimas do tráfico de meninas e mulheres, um negócio ilegal em alta segundo demonstram as detenções recentes das autoridades chinesas.
A condenação à morte dos dois líderes de uma banda de 52 membros que traficou com 118 meninas no sul da China, publicada pelo jornal "South China Morning Post", é a última de uma série de ações policiais para frear o contrabando de recém-nascidas.
Xinhua, a agência oficial, citou a 12 parteiras de dois hospitais da cidade de Yulin, na paupérrima região autônoma de Guangxi Zhuang, que vendiam meninas ao bando por entre 12 e 24 dólares cada uma.
Em Henan, outra das províncias mais pobres do centro da China, no ano passado a polícia deteve a um casal que seqüestrava e vendia meninas por pelo menos 430 dólares.
Em junho foi condenada à morte uma mulher que traficou em Henan com 120 meninas; em julho, 95 pessoas foram detidas na Mongólia Interior por traficar com 76 bebês; os governos chinês e vietnamita lançaram uma campanha há duas semanas para frear o tráfico de meninas em sua fronteira.
Desde 2001, o governo liberou 42.215 mulheres e crianças que foram capturados para venda e deteve 22.000 suspeitos de traficar com pessoas.
O relatório mais recente das Nações Unidas sobre esse contrabando eleva a cifra até 250.000; além disso, segundo Unicef, entre 1998 e 2001 umas 60.000 mulheres vietnamitas entraram de forma ilegal na China, a maioria vendidas para serem prostituídas ou como "esposas por encomenda".
Os compradores de meninas são casais sem filhos ou que necessitam um segundo descendente, já que a "política de um só filho" por família para frear o crescimento demográfico da China (1,3 bilhão) não penaliza os pais que querem adotar uma criança.
O auge do contrabando deve-se, à parte de um pragmatismo endêmico, a essa política, que empurra alguns pais ao abandono, ao aborto seletivo e inclusive a matar os bebês se são meninas, já que a tradição chinesa avalia mais um filho varão.
Além disso, 134 milhões de anciãos chineses, 10 por cento da população em aumento, têm um destino incerto, já que os 1.000 dólares de renda per capita da China não garantem sua pensão e confiam na generosidade futura de seus varões.
Desde que começou a política de reforma e abertura em 1978, 138 milhões de imigrantes rurais desempregados se transladaram às cidades, onde se registrou aumento dos abandonos.
Os imigrantes estão condenadas à precariedade e à prostituição, um negócio florescente na China como pode comprovar-se abertamente nas ruas de Pequim, nos centros de massagem e em muitas de suas barbearias noturnas, bordeis camuflados.
As cifras do drama: 47 por cento dos imigrantes ficam grávidas sem estar casadas, um estigma social que as leva a abandonar e a vender seus filhos, segundo a Academia de Ciências Sociais em Xangai.
Além disso, o sexo está de moda entre a geração adolescente de filhos únicos e consentidos, o que disparou os abortos entre as menores de 13 por cento em 1998 para 33,3 em 2003.
A cifra dá uma idéia dos abandonos por parte de estudantes em um país no qual 70 por cento das primeiras relações sexuais ocorrerm sem uso de preservativo, segundo a última pesquisa de Durex.
Apesar do silêncio burocrático, o "South China Morning Post" calcula o número de abandonos de crianças entre 20.000 e 100.000.
Os abortos seletivos de meninas criaram um desequilíbrio de sexos numa proporção de 100 mulheres para cada 120 varões, quando a média costuma ser de 100/103-107, por isso as mulheres são um bem escasso: 40 milhões de homens estarão solteiros em 2020.
Han Thi Phan, vietnamita de 32 anos, relatou à Unicef como foi vendida a um homem chinês em Guangxi com o qual nem sequer podia comunicar-se: "Me batia freqüentemente. Para ganhar sua confiança, decidi dar-lhe um filho".
Segundo a Federação de Mulheres Chinesas, na cidade fronteiriça de Dongxing (Guangxi), de