Policiais da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae) realizaram uma operação nos morros do Zinco, do São Carlos e da Mineira, no Estácio, para verificar a existência de um suposto pacto de não-agressão entre as duas principais facções do Rio, como uma estratégia de sobrevivência do tráfico depois da implantação das Unidades de de Polícia Pacificadora (UPPs) em favelas cariocas. As três comunidades fazem parte do complexo de favelas dominado pelo traficante Anderson Rosa Mendonça.
Segundo informações dos serviços de inteligência da polícia, durante uma reunião há duas semanas no Complexo do Alemão, representantes das duas facções tentaram fechar uma negociação, que não teria ido adiante porque a quadrilha do Alemão exige que o chefe do tráfico do São Carlos devolva os morros do Zinco e da Mineira, que foram tomados em 2007, onde, na época, teriam morrido mais de 30 traficantes nesta guerra, sendo a maioria do Complexo do Alemão.
Ao mesmo tempo que o chefe do São Carlos se recusa a devolver os dois morros e inviabiliza o fechamento deste acordo inédito no crime organziado do Rio, a presença de cem policiais no complexo de favelas no Estácio parece passar o recado do governo às facções. Ou seja, o tráfico do Rio terá que abandonar o armamento de guerra e deixar de lado o domínio de território, se quiser sobreviver e continuar a gerenciar a venda de drogas.
Principal responsável pela implantação das UPPs no Rio, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, é taxativo ao dizer que, sozinhas, as UPPs não têm a pretensão de acabar com a venda de drogas, mas possuem o objetivo de devolver a liberdade às comunidades dominadas pelos traficantes.
Para o secretário, ainda não se tem informações suficientes para afirmar que as quadrilhas já estão se reestruturando para enfrentar o crescimento do programa de governo. Beltrame, na verdade, acha que os traficantes estão entre assustados e surpresos. "No momento eles estão muito preocupados com o que está acontecendo. Estão num momento de tensão, ainda incrédulos, mas já começam a ver que as UPPs vieram para ficar. Pode ser que agora, eles tentem aí uma outra saída, como retornar a estratégias dos anos 80, quando a droga era vendida de forma discreta, através de "esticas" ou "aviões", e os traficantes se protegiam com armas leves".
Na opinião do chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, que comanda as operações preparatórias para as ocupações, ao acabar com o domínio territorial, o Estado quebra a espinha dorsal das quadrilhas do Rio, que vão ter que aprender a conviver com estruturas menores e sem o poder bélico que tinham antes.