Pelo menos 13 passageiros ficaram queimados, cinco deles em estado grave, durante um ataque de traficantes da Cidade de Deus a um micro-ônibus,na Estrada Marechal Miguel Salazar Mendes de Moraes, na Taquara. O incêndio teria sido uma represália à prisão de Leonardo de Oliveira da Silva, de 19 anos, flagrado por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) com 75 papelotes de cocaína na favela.
Na opinião da polícia, o ataque ao micro-ônibus é uma estratégia da facção que resiste na favela para desestabilizar a UPP inaugurada em fevereiro do ano passado depois de três meses de ocupação policial. Um total de 223 PMs passou a trabalhar na comunidade, sendo 190 deles recém-formados. A Cidade de Deus foi uma das primeiras favelas beneficiadas pelo programa do estado, junto com o Morro Dona Marta, em Botafogo, e a Favela do Batam, em Realengo. A pacificação na favela de Jacarepaguá, porém, tem sido uma das mais difíceis.
Os feridos foram levados para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra. Os passageiros encaminhados para o atendimento médico foram Gabriel Lima, Rosângela dos Santos, Ana Sheila de Souza, Luciana Fernandes, Nara Martins, Anne Andrade, Cristiane da Silva Maciel, Karina Ferreira, Paula Núbia Rodrigues, Antônio Carlos de Godoy, Laís de Melo Rodrigues e Ronaldo Luiz Costa Ferreira. Dois já foram liberados e cinco estão em estado grave e foram transferidas para outras unidades, sendo duas para o Hospital Souza Aguiar, no Centro, outras duas para o Hospital Central da PM e uma para o Hospital Geral do Andaraí.
O motorista do micro-ônibus, Edson de Souza Cerqueira, relembrou os momentos de pânico. Segundo ele, havia pelo menos 20 passageiros no coletivo. Policiais militares contaram que após as chamas serem controladas alguns moradores da favela iniciaram um protesto, que foi logo controlado.
O coronel Lima Castro, coordenador do setor de comunicação social da PM, disse que será investigado se houve falhas no policiamento na região. Depois da ação dos bandidos, policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram chamados para reforçar o patrulhamento na Cidade de Deus. De acordo com o oficial, cerca de 100 policiais participam da ação.
O capitão Pazini ressaltou que, na semana passada, traficantes mataram um adolescente de 13 anos a pauladas e tentaram responsabilizar os policiais da UPP pela morte. Na ocasião, um grupo de moradores acusou os PMs. Em setembro de 2009, um policial militar da UPP foi espancado na localidade conhecida como Caratê, onde o tráfico mais resistiu à ocupação policial. A agressão aconteceu quando o PM, acompanhado por dois colegas, fazia patrulhamento próximo a um local onde era realizado um baile funk. O soldado levou socos e pontapés e teve os dentes quebrados, sofrendo escoriações por todo o corpo. O ataque aconteceu depois que policiais da UPP prenderam uma pessoa com uma pequena quantidade de maconha.