Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Traficantes do morro frequentam a quadra da Mangueira, diz presidente

Quarta, 16 de Janeiro de 2008 às 18:15, por: CdB

A presidente da Estação Primeira de Mangueira, Eli Gonçalves, a Chininha, admitiu, em depoimento que durou quase três horas, na 17ª DP (São Cristóvão), que traficantes do morro freqüentam a quadra da escola.

Ela negou, no entanto, que eles vendam drogas lá dentro e afirmou também desconhecer a existência de uma passagem secreta para o tráfico a partir de uma casa ligada ao camarote da bateria.

— Ela disse que não se dava muito bem com o Ivo (Meirelles, ex-presidente da bateria), que assumiu a presidência há pouco tempo, e não sabia dessa casa. Sobre conhecer os traficantes, ela disse que são meninos que ela viu crescer na comunidade e freqüentavam a escola. Mas, como não traficavam na quadra, não se achava na obrigação de denunciá-los à polícia —, disse o delegado Márcio Caldas.

O delegado vai pedir a perícia de local para verificar se a suposta passagem secreta servia de fuga para traficantes. Ele também pediu à diretoria da escola que providencie e apresente comprovantes dos mantenedores sobre a construção dos luxuosos camarotes da bateria.

Ivo Meirelles, que também prestou depoimento, já teria declarado que a obra foi mantida com doações feitas por um título que ele criou para “Os amigos da bateria” que colaboravam com quantias acima de R$ 1,5 mil.

Sobre a participação do traficante Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, na composição do samba da Mangueira, ela disse, segundo o delegado, que na época da escolha do samba ele estava em liberdade. No momento, Tuchinha é considerado foragido da Justiça.

Depois de seu depoimento, quando negou as acusações sobre a passagem secreta, Ivo Meirelles disse que “confia na Justiça, é um cidadão honesto e trabalhador e que tudo o mais que estão falando são especulações” em torno de seu nome.

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