Cerca de 800 famílias que integram o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) continuam acampadas em um terreno de Valo Velho, em Itapecirica da Serra, na Grande São Paulo.
O local - que segundo eles tem cerca de um milhão de metros quadrados - foi ocupado na sexta-feira à noite. A principal reivindicação das famílias é a construção de moradias populares.
- Esse terreno é particular e possui grandes dívidas com o poder público. Por isso, existe uma prerrogativa para desapropriá-lo e construir, aqui, casas populares - disse o coordenador do movimento, Guilherme Boulos.
De acordo com ele, se o local fosse desapropriado, daria para construir ali pelo menos 5 mil moradias ali.
Boulos afirma que as famílias pretendem ficar no terreno até que o governo encontre uma solução.
- Permaneceremos aqui, de preferência até se construírem as casas. Hoje, o programa habitacional do governo é uma falácia. Essa questão precisa ser revista urgentemente - afirmou, acrescentando que a ação também é uma resposta "ao descaso público" frente às carências habitacionais
Segundo o coordenador, as famílias vêm sofrendo pressão da Polícia Militar (PM) para que deixem o local.
- A PM está no local com o objetivo de conter a massificação. Está agindo de forma ilegal e arbitrária ao impedir o direito de ir e vir das famílias no terreno. A polícia não tem nenhum respaldo legal para agir assim.
Ele conta que os policiais estão impedindo a entrada de água e alimentos no acampamento.
- Mas quero deixar claro que vamos continuar com a nossa luta, pacífica, mesmo diante da ação ilegal da polícia.
Boulos informou que o MTST denunciou a forma como a polícia vem agindo à Corregedoria da PM e às comissões de direitos humanos do estado.
- Queremos que a polícia recue, mas até agora ninguém se manifestou. A PM já reduziu a ocupação desde ontem, mas continua com a postura truculenta.
Procurada pela reportagem, a Polícia Militar informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que não se pronunciaria sobre o fato neste momento.
Boulos acrescentou que o movimento "tem esperança" de que os governos federal e estadual atendam às demandas do MTST o quanto antes. Segundo ele, a entidade mantém diálogo constante com a secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, e com representantes da Caixa Econômica Federal.
- Estamos reivindicando, há tempos, ao governo federal e estadual, melhores condições de moradia. Esperamos que o governo tome uma postura diante deste fato.