O ministro paraguaio da Agricultura e Pecuária, Antonio Ibañez, denunciou na última segunda-feira que os trabalhadores rurais sem-terra do Paraguai estão ligados a seus colegas brasileiros do Movimento dos Sem-Terra (MST) para planejar atividades.
- Está bastante claro que eles mantêm contato com os Sem-Terra (do Brasil). Não tenho dúvida disso - afirmou o secretário de Estado, admitindo porém não ter provas concretas disso.
Ibañez se referia à ameaça de invasão de propriedades de estrangeiros feita por um grupo de camponeses do departamento de San Pedro, região onde atuam os denominados 'brasiguaios', ricos colonos originários do Brasil que se dedicam ao cultivo da soja.
O líder dos trabalhadores rurais paraguaio, Elvio Benítez, deu duas semanas de prazo às autoridades para que solucionem um problema de terra que atinge dezenas de trabalhadores rurais. Caso contrário, os sem-terra invadirão essas propriedades.
Benítez denunciou que os colonos estrangeiros compram grandes propriedades e colocam os paraguaios para trabalhar em cultivos com fortes agrotóxicos, cujos efeitos deixam suas famílias doentes.
Diante da ameaça do líder dos sem-terra paraguaio, o presidente do Instituto do Bem-Estar Rural (IBR), Erico Ibáñez, anunciou que apresentará ao Congresso um projeto de lei para regularizar a entrada de estrangeiros no Paraguai.
Ercio Ibáñez destacou que os brasileiros não permitem que estrangeiros comprem terras em uma faixa de 150 quilômetros a partir da fronteira e que a lei do país vizinho proíbe que os estrangeiros adquiram terras na fronteira.
O empresário Héctor Cristaldo, presidente da Coordenadoria Agrícola, disse por sua vez que se os camponeses cumprirem sua ameaça 'isto será o começo do caos e do salve-se quem puder'.
Trabalhadores sem-terra do Paraguai e do Brasil podem estar ligados
Terça, 20 de Abril de 2004 às 01:28, por: CdB