Os trabalhadores rurais Francisco da Conceição (Chico Buraco), Gilvando da Conceição de Oliveira, Sebastião Rodrigues Sousa e Francisco da Conceição da Silva, acusados da morte de Antônio Monteiro, foram absolvidos por seis votos a um, na madrugada desta quinta-feira, 2 de outubro. O julgamento, através do júri popular, realizado na Câmara Municipal de Lago do Junco, durou 17 horas e mobilizou centenas de famílias da região que, desde a quarta-feira, se colocaram em vigília na porta do prédio, acompanhando passo a passo da sessão. A morte de Antônio Monteiro foi o desfecho do conflito agrário vivenciado durante 15 anos no povoado do Centro de Aguiar, envolvendo famílias de trabalhadores rurais e os proprietários da fazenda Nova Olinda, no Maranhão. A demora na conclusão do conflito ocasionou vários momentos de tensão.
Os quatro trabalhadores rurais, todos moradores do povoado Centro do Aguiar -município de Lago do Junco - estavam sendo acusados da morte, em 28 de dezembro de 2002, de Antônio Monteiro, que, na época, trabalhava na fazenda Nova Olinda. O tribunal de júri popular foi iniciado terça-feira, 30, mas foi anulado, após o deferimento do pedido do promotor público John Derrick Barbosa Braúna, tendo em vista a inobservância, por parte da juíza Suzi Pontes de Almeida, de procedimentos nos trabalhos iniciais da sessão.
A anulação foi solicitada após o depoimento de uma das principais testemunhas de acusação, o vaqueiro William que trabalhou na fazenda Nova Olinda por 22 anos. Quando argüido, tanto pela promotoria pública quanto pelos advogados de defesa, o deputado estadual Domingos Dutra e o advogado Luiz Antônio Pedrosa, a testemunha entrou em contradições em várias de suas afirmações, negando, inclusive, sua acusação inicial de que o crime teria sido praticado por Chico Buraco.
Na quarta-feira, depois de ouvir todas as testemunhas, o promotor John Derrick Barbosa Braúna chegou a pedir a absolvição dos trabalhadores Gilvando da Conceição de Oliveira e Sebastião Rodrigues Sousa e a condenação de Francisco da Conceição (Chico Buraco) e de Francisco da Conceição Silva (Ferrinho), mas os advogados de defesa, Domingos Dutra e Antônio Pedrosa, argumentaram que todo o processo se mostrava inconsistente em suas acusações, apresentando diversas falhas no laudo médico.
A promotoria estava baseada apenas nos depoimentos do filho da vítima e do vaqueiro da fazenda, Senhor William, coletado logo após o crime. O filho da vítima não compareceu ao tribunal do júri e o senhor William negou tudo o que havia afirmado naquela ocasião. Depois de ouvidas as duas partes, o júri decidiu por seis votos a um inocentar os quatro trabalhadores acusados. A sentença foi lida à 1:30 h da última quinta-feira, transformando o ambiente em uma grande festa a manifestação das famílias ali presentes. O trabalhador Francisco da Conceição (Chico Buraco) que estava preso há quase um ano saiu carregado por seus amigos.
Trabalhadores são inocentados no Maranhão
Terça, 07 de Outubro de 2003 às 13:33, por: CdB