Rio de Janeiro, 28 de Maio de 2026

Trabalhadores rurais ocupam sedes do Incra e do Ibama

Sexta, 06 de Maio de 2005 às 07:32, por: CdB

Há quatro dias, cerca de 400 trabalhadores rurais protestam contra supostas extradições ilegais de madeira na reserva Padre Josimo. Estes crimes estariam sendo realizados há oito meses por madeireiras clandestinas. Eles mantêm ocupadas as sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), em Conceição do Araguaia. Os rurais também interditaram a rodovia PA-287, que liga o município de Conceição do Araguaia, no sul do Pará, ao estado do Tocantins.

- Vivemos nessas terras há dez anos, sempre respeitando os limites de exploração. Mas as madeireiras passaram a destruir a reserva, sem sofrer punição - diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, Francisco Jesus Vieira.

A reserva concentra um projeto de assentamento do Incra, numa área aproximada de 30 mil hectares. Por não terem as denúncias atendidas, os agricultores pedem a saída do executor do Incra no município, Raimundo Marques. O foco do conflito é área em litígio desde a década de 80. São 70 mil hectares de floresta. Durante anos, cerca de 61 mil hectares pertenceram ao grupo Bradesco.

Como punição por crimes ambientais cometidos pelo grupo em 1980, o governo federal da época desapropriou cerca de 31 mil hectares, transformados em reserva florestal. Parte da reserva virou projeto de assentamento. Os agricultores pressionam ainda o Ibama para que retire posseiros que ocuparam a reserva e que, segundo eles, não fazem parte do grupo de trabalhadores rurais que teria direito às terras.

Em Conceição do Araguaia, o Ibama diz que o problema está sendo negociado pela sua gerência em Belém. O chefe do escritório em Conceição do Araguaia, Jair de Souza, diz que os agricultores querem fazê-lo refém, para agilizar as negociações e, por isso, teme retornar ao prédio.

Segundo o Ibama, vários relatórios legitimaram a posse do assentamento para os trabalhadores, mas a reintegração dada pela Justiça precisa do apoio da polícia militar.

 

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