SANTIAGO DO CHILE, 12 JUL (ANSA) - Os trabalhadores da estatal chilena Codelco, a maior produtora mundial de cobre, retomaram hoje as atividades depois de uma paralisação de 24 horas de "advertência" ao governo.
A greve, a primeira realizada em 18 anos, aconteceu em protesto contra uma suposta privatização do metal, a principal riqueza do Chile.
Segundo o presidente da Federação de Trabalhadores do Cobre (FTC), Raimundo Espinoza, foram enviadas informações sobre uma "privatização encoberta" à Controladoria Geral da República e ao Congresso chileno.
Os dirigentes da Codelco, citados pelo jornal La Tercera, trabalham em uma estratégia para retomar o diálogo com a FTC. Um dos sinais dessa tentativa de reaproximação foi a incorporação na mesa de negociações de Sebastián Conde, vice-presidente de Recursos Humanos, e de Daniel Serra, um dos criadores da Aliança Estratégica, instância onde a administração e os mineiros tomavam decisões sobre o futuro da mineradora.
O órgão deixou de existir quando o atual presidente Diego Hernández assumiu o cargo com a chegada de Sebastián Piñera à Presidência do Chile, em março de 2010.
A paralisação mobilizou mais de 40 mil funcionários ligados à empresa e fez com que 4.900 toneladas do metal deixassem de ser produzidas, representando uma perda de US$ 41 milhões, segundo cálculos da companhia.
A Codelco produz 11% do cobre mundial, o equivalente a 1,7 milhão de toneladas por ano.
Segundo os trabalhadores, o plano de modernização adotado pela direção poderia significar um processo de privatização. O governo e a diretoria da empresa negam essa intenção. Para Hernández, a greve é produto da insatisfação dos trabalhadores frente às mudanças que vão continuar sendo implantadas.
Uma manifestação realizada ontem por estudantes, em apoio à greve dos trabalhadores, foi reprimida e dissolvida pela polícia. Os jovens responderam à ação policial com paus, pedras e garrafas.
O protesto ainda tinha adesão de dirigentes da Central Única dos Trabalhadores, empregados fiscais, Colégio de Professores e diversas organizações sociais.
Os manifestantes pediam a renacionalização do cobre, no mesmo dia em que comemoraram os 40 anos da estatização do metal promovida durante o governo de Salvador Allende. (ANSA)
TRABALHADORES DA CODELCO RETOMAM ATIVIDADES NO CHILE
Terça, 12 de Julho de 2011 às 06:45, por: CdB