Trabalhadorese trabalhadoras da saúde e do seguro social da Costa Rica iniciaram, ontem(19), uma greve nacional pelo pagamento integral dos salários de trabalhadoresincapacitados por motivos de saúde e pela quitação da dívida da CaixaCostarriquenha do Seguro Social (CCSS). Essa é a primeira greve enfrentada por LauraChinchilla em um ano e dois meses como presidenta do país.
Apesardas tentativas de diálogo, os funcionários da CCSS decidiram entrar em greveontem por tempo indeterminado. Entre as exigências, estão o pagamento de 100%dos salários dos trabalhadores do setor que deixaram de trabalhar por problemasde saúde e o saldo da dívida que o Governo tem com a Caixa.
Deacordo com os manifestantes, o Governo da Costa Rica possui uma dívida de maisde 1,4 bilhão de dólares com a Caixa. As autoridades costarriquenhas, por suavez, afirmam que a dívida é de 270 milhões de dólares. Notícias dão conta deque a crise financeira enfrentada atualmente pela instituição levou LauraChinchilla a anunciar o pagamento de 175 milhões de dólares da dívida aindaneste ano.
Agreve, iniciada na manhã de ontem, afeta atividades de 29 hospitais e dezenasde consultórios médicos e escritórios administrativos em todo o país. Osserviços de emergência não podem ser suspensos durante o período daparalisação, mas os manifestantes já afirmaram a suspensão de consultas ecirurgias agendadas.
Com70 anos de história, a CCSS possui 48 mil funcionários em hospitais,consultórios públicos e em fundos de pensão de trabalhadores públicos eprivados. Apesar das negociações realizadas nos dias anteriores, o impasseentre sindicato e Governo continua.
Enquantosindicalistas afirmam que seguirão com a greve até chegar a um consenso com oGoverno, autoridades costarriquenhas reclamam da paralisação. "Não é o momentopara fazer chamados de greve, isto se solucionará trabalhando, não fazendoparalisação”, declarou Rosa Climent, gerente médica da CCSS.
LuisChavarría, da União de Empregados da Caixa (Undeca), lembrou que a paralisaçãonão é apenas por conta dos salários dos funcionários. "Só nos atacam pelo temade incapacidades, mas isso não é o que provocou esta crise”, destacou.
Mesmoreconhecendo que a instituição está em crise também por conta da dívida estatale dos preços dos medicamentos, Climent advertiu que pedirá ao Ministério doTrabalho uma declaração de ilegalidade da greve. Na noite de ontem, asautoridades da Costa Rica já ameaçaram emitir uma ordem sanitária para acabarcom a paralisação e, caso o pedido não seja cumprido, anunciaram que entrarãocom uma denúncia no Ministério Público.
Enquantoos sindicalistas destacam que a paralisação recebe o apoio de 90% dosfuncionários, uma campanha contra a greve exposta no site da CCSS apresenta que"88% de nossos funcionários disseram não à greve e sim à Caixa”.
Cominformações da imprensa local.