Rio de Janeiro, 13 de Outubro de 2026

Trabalhadoras rurais ocupam Brasília, e pedem mais crédito e menos violência

Segunda, 15 de Agosto de 2011 às 15:44, por: CdB

Trabalhadoras rurais ocupam Brasília, e pedem mais crédito e menos violênciaMaior manifestação de mulheres da America Latina começa nesta terça-feira (16) em Brasília. Organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), federações e sindicatos de trabalhadores, a quarta edição da marcha tem o objetivo de divulgar uma pauta de reivindicações relacionadas ao desenvolvimento sustentável do campo.

Marcel Gomes

SÃO PAULO – Milhares de mulheres trabalhadoras rurais de todos os cantos do país chegarão a Brasília, nesta terça-feira (16), para o primeiro dos dois dias de atividades da Marcha das Margaridas. Organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), federações e sindicatos de trabalhadores, a quarta edição da marcha tem o objetivo de divulgar uma pauta de reivindicações relacionadas ao desenvolvimento sustentável do campo.

“Vamos defender a atualização dos índices de produtividade, o limite ao tamanho das terras, mais crédito para as trabalhadoras rurais e menos violência contra elas”, disse à Carta Maior Rosane Silva, secretária de Mulheres da CUT – uma das diversas entidades parceiras da iniciativa, como a Marcha Mundial das Mulheres e a Articulação das Mulheres Brasileiras.

Segundo Rosane, a marcha também fará um alerta contra a violência no campo. Há menos de três meses, em 24 de maio, a extrativista Maria do Espírito Santo e o marido dela foram mortos por pistoleiros no Pará. Dados colhidos pela CUT junto à Comissão Pastoral da Terra (CPT) indicam que, entre 2001 e 2011, passou de 7% para 20% o índice de mulheres na lista de ativistas ameaçados de morte por conta de conflitos agrários.

Sobre o projeto do Novo Código Florestal em debate no Senado, a Contag, apesar de reconhecer que o texto aprovado na Câmara contemple propostas defendidas pela entidade, como o “manejo sustentável” de áreas de proteção permanente e da reserva legal, diz que o atual projeto beneficia o setor ruralista ao não fazer a diferenciação entre agricultura patronal e familiar. Durante a marcha, o assunto será tratado de maneira mais ampla, com o debate de questões que vão além do código, como pagamento por serviços ambientais e criação de reservas extrativistas.

Desde a semana passada, lideranças das trabalhadoras vêm se reunindo com representantes de ministérios, como o da Saúde, Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente, com o objetivo de pressionar o governo para que atenda às demandas das margaridas. O movimento aguarda a visita da presidenta Dilma Rousseff na tarde de quinta-feira (17), no encerramento das atividades.

A Marcha das Margaridas é considerada a maior manifestação de mulheres da America Latina. É uma homenagem à Margarida Alves, que ocupou por 12 anos a presidência do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alagoa Grande (PB). No cargo, lutou contra o analfabetismo e em defesa da reforma agrária. Foi assassinada em agosto de 1983. Informações sobre o cronograma de atividades e a pauta completa de reivindicações podem ser obtidas no site da Contag: www.contag.org.br


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