Rio de Janeiro, 26 de Março de 2026

Tour de Rice à países árabes não significa avanço no processo de paz

Quinta, 05 de Outubro de 2006 às 10:16, por: CdB

Secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice manteve uma série de encontros com líderes moderados do Oriente Médio, nos últimos três dias desta semana, mas os resultados das conversações, até agora, não significaram qualquer chance de redução no ambiente de extrema violência na região, dizem analistas. A viagem de Rice significou pouca coisa de novo para reanimar o processo de paz entre israelenses e palestinos, um dos objetivos declarados desta visita que inclui Arábia Saudita, Egito, Territórios Palestinos e Israel.

Na entrevista coletiva concedida depois de uma reunião com o presidente palestino Mahmoud Abbas, Rice disse que os EUA estão muito preocupados com o sofrimento dos palestinos e que seu governo vai "redobrar os esforços para melhorar a qualidade de vida da população". A vitória do Hamas nas eleições fez com que a ajuda internacional para os palestinos fosse drasticamente reduzida - um duro golpe na economia palestina - porque Estados Unidos, Israel e União Européia classificam o grupo islâmico de terrorista.

Eles exigem que o Hamas aceite formalmente alguns princípios - como reconhecer o direito de Israel à existência -, mas o grupo se mostra inflexível em diversos pontos, embora já tenha sinalizado que poderia aceitar um "cessar fogo de longo prazo".

Riscos à vista

Pesquisador do Centro Palestino para a Democracia e a Resolução de Conflitos, Bassam Nasser disse a jornalistas, nesta quinta-feira, que a recusa de Israel e do Ocidente em reconhecer o Hamas como uma força política só enfraquece a democracia palestina.

- O Hamas comanda um dos únicos governos eleitos do Oriente Médio, e a recusa em reconhecê-lo leva os palestinos a se questionarem de que vale a democracia - disse.

Nasser se opõe ao Hamas e desaprova as posições do grupo militante islâmico, mas diz que "trocar de governo é algo que tem que a acontecer por iniciativa dos palestinos e não por causa se um cerco feito pela comunidade internacional".

O doutor em resolução de conflitos Gabriel Horenczyk, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, diz que não há nenhuma disposição entre os israelenses para negociar com o Hamas.

- Principalmente porque o cabo Galit (capturado em 25 de junho por militantes palestinos e mantido cativo na Faixa de Gaza) ainda não foi devolvido, e seqüestros de soldados são levados muito a sério aqui em Israel. Este é um dos dados em nossa cultura política que o resto do mundo tem dificuldade em entender - afirmou.

Depois da reunião do primeiro-ministro Ehud Olmert com Condoleezza Rice, o gabinete do premiê divulgou uma declaração à imprensa dizendo que Israel não vai negociar a libertação de nenhum prisioneiro palestino se o cabo Galit não for solto primeiro. Horenczyk também não vê sentido em negociar com outras forças palestinas enquanto o Hamas detém tanto o governo quanto o poder real.

- De que adianta negociar com a Organização para a Liberação da Palestina (OLP) ou o Fatah se o poder de fato está nas mãos do Hamas? Eles são mais fortes na Faixa de Gaza e só não têm domínio sobre a Cisjordânia porque Israel ainda está por lá - diz.

Horenczyk acredita que a única opção para Israel agora é tentar negociar com o Hamas através de terceiros, como o Egito e a Jordânia.

- Neste momento, Condoleezza Rice ou os Estados Unidos não têm muito o que trazer para Israel no sentido de preparar o terreno para negociações de paz - afirmou.

Bassan Nasser acredita que negociações secretas - possivelmente até com participação dos Estados Unidos - podem ser um caminho para tentar avançar com discussões, apesar dos grandes impasses envolvidos.

- Depois de um período de muita instabilidade, com a violência no Iraque a guerra com o Líbano, os Estados Unidos estão tentando redefinir quem são os seus aliados no Oriente Médio, mas havia pouco de específico que Condoleezza Rice pudesse fazer nesta viagem - disse.

O

Tags:
Edições digital e impressa