Os prisioneiros iraquianos continuaram sofrendo abusos físicos e psicológicos por parte dos soldados dos Estados Unidos por pelo menos mais três meses depois da descoberta dos escândalos de Abu Ghraib, segundo relatos de supostas vítimas publicados terça-feira na mais recente edição da revista norte-americana "Vanity Fair".
A reportagem foi feita por Donovan Webster, após 60 horas de entrevistas conduzidas com ex-detentos, incluindo um garoto de 15 anos. A matéria cita diversos casos de maus tratos, como prisioneiros iraquianos sendo agredidos sexualmente por soldados norte-americanos. Os relatos incluem também espancamentos e choques elétricos. Um homem disse que foi levado nu a um quarto gelado, onde teve seu corpo suspenso enquanto soldados jogavam nele baldes de cubos de gelo.
Segundo Webster, muitas pessoas que ele entrevistou disseram que os maus tratos aconteceram em julho, três meses após a descoberta dos escândalos da prisão em Abu Ghraib, em abril, quando foram divulgadas fotos de prisioneiros iraquianos sendo torturados por soldados dos EUA. O artigo diz que os ex-detentos entrevistados por Webster estavam processando duas empresas americanas que providenciaram tradutores e interrogadores para as forças no Iraque.