Começou hoje, às 10h em Paris (7h em Brasília) em um tribunal da França, o julgamento à revelia de doze militares e um civil chilenos, e de um militar argentino, acusados de terem provocado o desaparecimento de quatro franceses durante a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90), no Chile.
As quatro vítimas desapareceram entre 1973 e 1975: Georges Klein, conselheiro de Salvador Allende, o ex-presidente chileno derrubado pelo golpe militar de Pinochet em 1973; o ex-padre Etienne Pesle, que trabalhava na reforma agrária no sul do Chile; Alphonse Chanfreau, dirigente do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) e sequestrado em Santiago; e Jean Yves Claudet Fernández, também militante do MIR sequestrado em Buenos Aires.
Os acusados não estão sob custódia da França nem residem no país, não comparecerão ao julgamento e nem estão sendo defendidos por advogados. Prentes dos desaparecidos franceses acompanham a sessão no tribunal, instaurada 12 anos depois do início do processo. Os acusados são julgados por "sequestro arbitrário acompanhado ou seguido de tortura e atos de barbárie" cometidos contra os franceses.
A lista dos acusados em julgamento era liderada pelo general ditador Augusto Pinochet, falecido em 10 de dezembro de 2006 aos 91 anos, sem nunca ter sido condenado por violações aos direitos humanos embora sua ditadura tenha matado e desaparecido com mais de 3.000 mortos e desaparecidos, além de torturado cerca de 30 mil pessoas. A pedido de um juiz espanhol, Pinochet esteve detido por algum tempo em Londres.
Também integrava a lista de réus o ex-comandante da Direção de Inteligência Nacional (DINA, a política política da ditadura Pinochet), Manuel Contreras, mas ele já está preso no Chile, condenado a 400 anos de prisão (leiam nota abaixo).
Torturadores chilenos são réus em Paris
Quarta, 08 de Dezembro de 2010 às 15:25, por: CdB