Um ano depois do discurso do presidente americano, George W. Bush, anunciando o fim das operações de grande porte no Iraque, os Estados Unidos continuam enfrentando uma situação confusa no país. Enquanto isso, cresce a polêmica em torno da divulgação de fotos de prisioneiros iraquianos torturados por soldados da coalizão.
Consciente do efeito profundamente negativo da divulgação destas fotos, que correram o mundo, Bush manifestou-se "profundamente enojado".
- O tratamento que os prisioneiros receberam não reflete a natureza do povo americano - disse Bush, garantindo que os soldados responsáveis serão punidos.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse por sua vez ter ficado "escandalizado" com os atos mostrados nas fotos, considerando-os "em contradição direta com todas as regras apregoadas dentro da coalizão".
Divulgadas na quarta-feira passada pela emissora de TV CBS, as fotos mostram soldados americanos maltratando e humilhando prisioneiros na penitenciária Abu Gharib, perto de Bagdá. Os fatos teriam ocorrido nos meses de novembro e dezembro de 2003.
Uma imagem mostra prisioneiros nus e amontoados e no corpo de um deles aparece um insulto escrito em inglês. Outros prisioneiros foram forçados a simular atos sexuais e numa outra foto se vê um militar americano fazendo o gesto da vitória em frente a uma pirâmide de presos nus.
As fotos correram o mundo e foram usadas na abertura dos noticiários da emissora de TV árabe Al Jazeera, do Catar, enquanto sua concorrente, a Al Arabiya, considerou que as imagens demonstram a "selvageria" dos soldados americanos.
O general Mark Kimmit, chefe-adjunto de operações militares no Iraque, anunciou na quarta-feira que seis militares seriam submetidos a processo. Eles foram acusados, em março, entre outras coisas, de atos de crueldade e conduta obscena com vinte prisioneiros e serão levados à corte marcial.
O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, se disse "profundamente perturbado", esperando que se trate de "um fato isolado".
A Liga Árabe instou as autoridades da coalizão no Iraque a "castigar todos os envolvidos nestes atos selvagens".
Para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, as fotos são "perturbadoras e preocupantes".
O escândalo atingiu também a Grã-Bretanha, onde o ministério da Defesa anunciou nesta sexta-feira a abertura de uma investigação sobre fotos e testemunhos publicados por um jornal que indicariam maus-tratos a um prisioneiro iraquiano por soldados britânicos.
"Estou a par das acusações que foram apresentadas hoje sobre os maus-tratos de prisioneiros por parte de soldados britânicos no Iraque", disse o general Michael Jackson, oficial de maior graduação do exército britânico.
No plano político, o presidente Bush defendeu nesta sexta-feira o discurso pronunciado em 1º de maio de 2003, no qual declarou o fim dos combates de grande porte e considerou a invasão do Iraque uma "vitória" sobre o terrorismo.
"Também disse nesse dia no porta-aviões (USS Abraham Lincoln) que ainda restava um trabalho difícil a fazer e que enfrentávamos tempos difíceis no Iraque", continuou o presidente.
Abril foi o mês mais mortal para os americanos no Iraque. Segundo o Pentágono, 128 soldados americanos morreram, número superior ao das seis semanas que se seguiram ao início da guerra, em 20 de março de 2003.
Os Estados Unidos continuam enfrentando uma situação confusa no Iraque, por exemplo em Najaf (160 km ao sul de Bagdá), onde está entrincheirado o líder xiita radical Moqtada al-Sadr.
Em Fallujah, 50 km a oeste da capital, após uma noite relativamente tranqüila, o primeiro batalhão da força iraquiana encarregado de tomar o lugar dos soldados americanos na cidade começou a se mobilizar.
Por último, soldados britânicos detiveram 15 partidários de Moqtada al-Sadr, durante operação na