Recomendo a coluna de Luis Nassif, hoje, a respeito da piada do ano: os resultados da eleição à cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras (ABL), para substituir o acadêmico Moacyr Scliar. Entre o escritor Antonio Torres e o jornalista Merval Pereira, nossos imortais optaram pelo segundo – cá para nós, um autor conhecido pela sua “vasta” obra, reconhecida no Brasil e no mundo...
Nassif nos lembra que, ao preterir Torres em favor Pereira, a ABL revelou a pequenez das elites. “De pouco adiantou o fato de que os livros de Torres ajudaram o Brasil a ser mais conhecido por leitores da Itália, Argentina, México, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Bélgica, Holanda, Israel, Bulgária. Ou o fato de dois livros seus – Um táxi para Viena D’Áustria e Essa Terra - traduzidos na França, terem levado o governo francês, em 1999, a lhe conferir o título de "Cavaleiro das Artes e das Letras”.
Segundo o colunista, Merval tem “a visibilidade e o poder proporcionados pela Rede Globo”. E isso lhe conferiria uma moeda de troca ímpar – “o espaço na Globo, podendo abastecer o ego de seus pares e as demandas da ABL”. Ou seja, para Nassif, Merval “poderia até ganhar prêmios jornalísticos, jamais a maior condecoração da literatura brasileira”. Sua produção, afinal, limita-se a dois livros: um, de 1979, feito a quatro mãos; outro mais recente, mera compilação de artigos que escreve para o jornal “O Globo”.
Sem surpresas
Nassif estranha que não tenha havido qualquer crítica ao resultado da ABL na imprensa. Da minha parte, não vejo qualquer surpresa.
Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026
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