O devastador supertornado que atingiu a cidade paulista de Indaiatuba na última terça-feira abriu um debate sobre a incidência de tornados no Brasil e uma possível maior ocorrência destes fenômenos em território nacional nos últimos anos.
De acordo com o meteorologista Eugenio Hackbart, coordenador da Climatologia Urbana, somente na semana passada pelos menos dois tornados devem ter atingido o Rio Grande do Sul, sendo um em Santa Bárbara do Sul e outro na localidade de Engenho Velho. Há ainda episódios não contabilizados em Santa Catarina.
Hackbart espera um aumento no número de tornados no Brasil nos próximos meses. Ele explica que a primavera e o verão tradicionalmente são os períodos mais favoráveis ao registro do fenômeno, mas ressalta que o comportamento da atmosfera neste ano com grande irregularidade térmica deve favorecer um número maior de tornados que o habitual nos próximos meses.
"O tornado de Indaiatuba foi resultado do avanço de uma massa de ar polar sobre ar muito quente e úmido vindo da Amazônia sobre São Paulo. Creio que este cenário deve se repetir muitas vezes ainda nos próximos meses, particularmente no inverno e na primavera, já que se espera uma grande irregularidade e alternância de massas de ar frio e quente no Sul e Sudeste do Brasil nos meses de inverno, sem mencionar a primavera que já é um período de grande instabilidade atmosférica", esclarece.
O meteorologista explica que as regiões mais sujeitas a tornados são o oeste da Argentina, Uruguai, Paraguai e no Brasil os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Eugenio Hackbart afirma que não é possível prever exatamente onde os tornados vão ocorrer, mas diz que é possível antecipar condições favoráveis ao fenômeno numa determinada região. Mesmo nos Estados Unidos, segundo informa, apenas com minutos de antecedência se pode antecipar que uma área muito específica está na iminência de sofrer com um fenômeno desta natureza.
Oficialmente, conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, sete tornados foram registrados neste ano no Brasil, nenhum no Rio Grande do Sul. Entretanto, a Rede de Estações de Climatologia Urbana de São Leopoldo considera que o número deve ser muito superior ao informado nas regiões Sul e Sudeste.