Rio de Janeiro, 13 de Janeiro de 2026

Torcedores do Chile envolvidos em tumulto têm 48 horas para deixar o Brasil

O Juizado Anexo de Defesa do Torcedor determinou que os 23 chilenos envolvidos em tumulto na Arena Corinthians no dia 5 deste mês, durante o jogo entre o Corinthians e o Universidad de Chile

Quinta, 13 de Abril de 2017 às 08:18, por: CdB

A investigação indicou que os acusados integram a torcida organizada Barra Bravas e tinham “intenção prévia e deliberada de comparecer ao evento para a prática de atos violentos, criminosos”

Por Redação, com ABr - de São Paulo:

O Juizado Anexo de Defesa do Torcedor determinou que os 23 chilenos envolvidos em tumulto na Arena Corinthians no dia 5 deste mês, durante o jogo entre o Corinthians e o Universidad de Chile, pela Copa Sul-Americana, devem deixar o Brasil em até 48 horas.

torcedores.jpg
Torcedores chilenos foram detidos no Brasil após se envolverem em tumulto na Arena Corinthians

Os torcedores estiveram na quarta-feira no Fórum Criminal da Barra Funda, onde pagaram a fiança estipulada em audiência de custódia. Entre o grupo, 21 pagaram três salários mínimos (R$ 2.811) por crimes de desacato e danos ao patrimônio. Dois chilenos pagaram cinco salários mínimos (R$ 4.685) por terem praticado também crime de lesão corporal. Os valores serão usados na reparação dos danos causados ao estádio.

O juiz Ulisses Augusto Pascolati Junior marcou um julgamento para o dia 30 de junho, data em que o grupo de torcedores deverá retornar ao país. Caso contrário, a audiência será decretada à revelia. Eles foram acusados de associação criminosa, dano qualificado, tumulto e lesão corporal.

Um pedido de prisão preventiva feita pelo Ministério Público foi negado pelo juiz. A denúncia apurou que o tumulto causado pelos torcedores provocou destruição de 150 cadeiras, um corrimão, instalações sanitárias e da porta de vidro da bilheteria do estádio.

A investigação indicou que os acusados integram a torcida organizada Barra Bravas e tinham “intenção prévia e deliberada de comparecer ao evento para a prática de atos violentos, criminosos”.

Prisão

Os 24 torcedores chilenos que ficaram detidos no 24º Distrito Policial (DP) da Ponte Rasa, na Zona Leste da capital paulista, foram levados no início da noite do dia 6 para o Instituto Médico Legal (IML), onde passaram por exame de corpo de delito. Eles deixaram a delegacia a caminho do IML por volta das 19h em quatro veículos policiais.

Após passar pelo IML, os torcedores foram encaminhados para a carceragem do 63º DP, na Vila Jacuí, uma das poucas delegacias de São Paulo onde ainda há celas. Eles permaneceram presos nessa carceragem até o dia 7. Quando ocorreu uma audiência de custódia no Fórum Criminal da Barra Funda.

Segundo a Polícia Militar, os torcedores chilenos depredaram o estádio e arremessaram pedaços dos assentos contra policiais e a torcida adversária. No tumulto, informou a PM, os policiais, inclusive da Tropa de Choque, precisaram intervir com uso de cassetetes. Na confusão, 26 torcedores chilenos foram presos, mas dois foram liberados. Entre eles, um jornalista e uma mulher.

Jornalistas, a namorada de um dos detidos e um advogado de uma das torcidas do Corinthians estiveram no 24º DP. A namorada do torcedor preso não quis gravar entrevista. Mas mostrou uma fotografia, no celular, em que seu namorado aparece apanhando de cassetete de um policial. Ela disse que o namorado ficou ferido com a confusão, mas passa bem.

Segundo ela, seu namorado não agrediu ninguém e não participou do quebra-quebra na Arena Corinthians. Mas acabou preso ao tentar apartar a confusão entre os torcedores do Chile e a polícia.

Cônsul

O cônsul-geral do Chile em São Paulo, Alejandro Sfeir Tonsic, também esteve na delegacia durante. Em breve declaração à imprensa, Tonsic disse que ocorreu “um procedimento normal que tem que ser feito pelos cônsules quando um chileno é detido no exterior e tal procedimento é tradicional e normal”. Ele disse a jornalistas que não poderia dar declarações sobre o caso e que estas informações serão dadas apenas em seu país, pelo órgão responsável.

Na saída da delegacia, um dos torcedores detidos contou que estava no estádio, conversando com a namorada pelo celular, quando ocorreu a confusão. “Eu estava sentado. (Começou a confusão). Fui para onde estavam os policiais.

Abri os braços e falei. 'Parem, por favor'. Atrás de mim, me bateram. Não sei quem me bateu. Mas fui ao médico sozinho, sem polícia e sem ninguém e fui pedir ajuda. Os médicos do Corinthians me atenderam. Aí chegaram uns policiais me perguntando. 'O que aconteceu ali? E contigo? Está tudo bem?' e me levaram para um corredor. Falei obrigado a eles. Mas daí fiquei sabendo que estava detido”, relatou.

 

Tags:
Edições digital e impressa