As mudanças propostas, que podem incluir a transferência das disputas de remo e canoagem para uma região a 400 quilômetros de Tóquio, podem precisar da aprovação do COI
Por Redação, com agências internacionais - de Tóquio/Rio de Janeiro:
Uma comissão de Tóquio pediu nesta quinta-feira por mudanças em três locais de competição dos Jogos Olímpicos de 2020 por conta dos altos custos, mas os organizadores disseram que tais alterações podem ser difíceis de serem feitas a tempo para a Olimpíada.
Tóquio apresentou uma poupança de US$ 4,5 bilhões quando derrotou Madri e Istambul na disputa em 2013 para sediar os Jogos, mas recentemente a governadora Yuriko Koike realizou campanha contra os altos custos e ordenou uma revisão das despesas.
As mudanças propostas, que podem incluir a transferência das disputas de remo e canoagem para uma região a 400 quilômetros de Tóquio, podem precisar da aprovação do Comitê Olímpico Internacional (COI) e de cada uma das federações internacionais esportivas envolvidas.
A proposta seria a mudança mais recente em uma série de promessas quebradas dos organizadores, que ganharam o direito de sediar os Jogos em grande parte pela reputação do Japão em ser eficiente.
A candidatura de Tóquio, por exemplo, dizia que 85 % dos locais de competição ficariam dentro de 8 quilômetros da Vila Olímpica, no centro de Tóquio.
De acordo com um relatório preliminar, divulgado no mesmo dia de um encontro do painel executivo do comitê organizador Tóquio 2020, os custos totais podem superar em quatro vezes o preço estimado no inicio de US$ 7,24 bilhões.
Legado para a segurança do Rio
Antes mesmo do início dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, as ações de segurança já garantiam a tranquilidade para a realização dos eventos esportivos. Durante 58 dias de atividade, 23 mil militares da Marinha, Exército e Aeronáutica atuaram no Rio de Janeiro e fizeram com que moradores e turistas se sentissem mais seguros.
Já nas cinco cidades onde ocorreram jogos de futebol, cerca de 43 mil homens e mulheres foram empregados. No total, o esforço de segurança contou com 26 navios, 3.083 viaturas, 109 blindados, 51 helicópteros, 81 embarcações, 80 aeronaves e 370 motocicletas.
Em todo o País, as Forças Armadas protegeram 139 estruturas estratégicas, como linhas de transmissão, subestações de energia e de abastecimento de água. No Rio, foram monitoradas 73 estruturas estratégicas. Na capital fluminense, também foram realizadas 12.300 patrulhas marítimas, a pé, a cavalo, motorizadas e com blindados.
O Comando Conjunto de Prevenção e Combate ao Terrorismo registrou 49 ocorrências, mas nenhuma tentativa ou ameaça real de ataque terrorista foi realizada.
A Força Aérea, responsável pela defesa do espaço aéreo, fez 35 missões de interceptação, oito de interrogação e quatro com ocorrências de alteração de rota. A fiscalização de explosivos e produtos semelhantes foi uma responsabilidade do Exército antes dos eventos. Os militares apreenderam 46 toneladas de explosivos, 20,5 toneladas de nitrato de amônia, 21.500 unidades de espoletas e 147 mil metros de cordel.
Legado
Como legado dos Jogos Rio 2016, ficam equipamentos, capacitação de policiais, militares, bombeiros e outros agentes, integração entre as forças dos três níveis de governo e a certeza de que o Brasil é um País preparado para receber eventos de grande porte.
Para filtrar a entrada dos participantes dos Jogos, entre atletas, comissões técnicas, árbitros, jornalistas, dirigentes esportivos, autoridades, a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos do Ministério da Justiça e Cidadania (SESGE/MJC) realizou a análise de antecedentes de quase 800 mil candidatos a obtenção de credencial.
Do total, 20,4 mil foram considerados não recomendados, por razões como mandados de prisão em aberto, detecção de perfil violento, histórico de crimes sexuais e ligação com organizações criminosas. Da experiência, resulta o sistema de busca de dados integrado entre todas as esferas nacionais e também internacional, capaz de fazer a pesquisa de antecedentes em pouco tempo.
Os equipamentos de inspeção eletrônica utilizados ao longo dos eventos, como aparelhos de raios X, portais de detecção de metal e detectores manuais, foram enviados para presídios em todos os Estados. O objetivo é evitar a prática da revista manual.
Para combater o tráfico de drogas e armas e o contrabando nas fronteiras, o MJC criou um Núcleo Permanente de Inteligência e Operações em cinco Estados. Já no Rio de Janeiro, foi criado o Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI), com sede na superintendência da Polícia Federal. Parceria entre o governo brasileiro e a Interpol, o CCPI contou com a colaboração de 250 policiais de 55 países.
O Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) contava com as imagens de alta definição em tempo real de mais de 6 mil câmeras de monitoramento georreferenciadas. Os CICCs Móveis, que funcionam em caminhões e são usados em grandes eventos, possuem câmeras acopladas, inclusive com visão noturna.
Equipamentos
Os Estados Unidos doaram equipamentos como roupas, máscaras e antídotos para ameaças terroristas do tipo QBRN (químicas, biológicas, radiológicas e nucleares). Esses e outros equipamentos ficaram para o Grupamento de Operações com Produtos Perigosos (GOPP) do Corpo de Bombeiros.
Dois helicópteros bimotores modelo EC 145, que podem realizar imageamento aéreo, transporte de equipes de intervenções táticas e salvamento aeromédico, foram cedidos à Polícia Militar. A corporação também ganhou três aeróstatos, balões que ficam a 200 metros de altura gerando e transmitindo imagens para o CICC.