O crescimento econômico do Brasil no terceiro trimestre não será tão fraco como se esperava anteriormente, disse nesta quinta-feira o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante uma conferência na capital do império britânico.
– Podemos ter um terceiro trimestre de acomodação, isto é esperado pelos participantes do mercado, mas será mais favorável do que as pessoas estavam esperando – afirmou.
Apesar do otimismo no discurso, agência de classificação Moody's reduziu, na véspera, a perspectiva de crédito do Brasil para "estável", ante "positiva", citando o fraco crescimento da economia brasileira. Para se contrapor ao julgamento dos economistas de um dos institutos envolvidos na quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, no auge da crise do capitalismo mundial, Tombini afirmou que a inflação no Brasil mostra sinais de recuo em direção ao centro da meta.
– A inflação está sob controle. Estamos trazendo ela para perto da meta – afirmou.
Segundo o Relatório Trimestral, o índice oficial de inflação IPCA subirá 5,8% neste ano pelo cenário de referência, ante previsão anterior de 6,0%, e 5,7% em 2014, ante estimativa anterior de 5,4%. A meta de inflação do governo é de 4,5%, com tolerância de 2 pontos percentuais.
Brasil rebaixado
Na noite passada, a agência de classificação de risco Moody's reduziu a perspectiva do rating soberano brasileiro para "estável", de "positiva", na noite de quarta-feira, citando a deterioração da relação dívida/PIB, o nível dos investimentos e o fraco crescimento. A Moody's reafirmou o crédito a "Baa2", o segundo grau mais baixo de investimento. A agência elevou a perspectiva do rating para "positiva" em 2011, e no fim do ano passado, tomou a decisão incomum de adiar um possível elevação da classificação de risco.
A decisão evidencia uma maior preocupação do mercado de que a economia brasileira – que no fim da década passada parecia estar entrando numa época de crescimento mais expressivo – está ficando atrás de outras economias emergentes.
– Apesar de haver sinais de que a economia brasileira está começando a se recuperar, a visão da Moody's é que, se e quando a recuperação se materializar, não é provável que será forte o suficiente para restaurar a tendência positiva nas métricas de crédito do Brasil – afirmou o analista de crédito soberano da Moody's Mauro Leos.
Em Londres, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, buscou minimizar a redução da perspectiva do rating brasileiro pela agência de classificação de risco Moody's, lembrando que o Brasil foi confirmado como "grau de investimento".
– A agência afirmou que temos grau de investimento. Com isso, duas das três maiores agências confirmaram que o Brasil é grau de investimento – comentou Tombini.
A Moody's, a Standard & Poor's e a Fitch Ratings atualmente classificam o Brasil no segundo menor grau de investimento, mas a Moody's era a única que mantinha uma perspectiva positiva. A S&P reduziu a perspectiva para negativa, ante estável, em junho.
'Desafios estruturais'
A assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda informou que não irá comentar a decisão da agência.
O analista da Moody's disse que, apesar de o Brasil enfrentar uma situação claramente menos favorável do que nos últimos meses, há elementos que dão suporte ao rating do país "quando comparado com os seus pares Baa3 de classificação inferior". Entre os elementos estão o relativamente administrável déficit em conta corrente, a capacidade de resistência a choques externos e o programa de investimentos de infraestrutura em curso.
Leos disse esta semana em um evento da Moody's que a economia brasileira deverá crescer cerca de 2,5% neste e no próximo ano. Esse cenário é causado por "desafios estruturais" como baixo investimento e gargalos de infraestrutura, o que significa que qualquer medida para melhorar os ratings do Brasil vai demandar ações de "longo prazo" pelo governo, ele acrescentou.
Um aspecto que tem preocupado as agências de crédito é a deterioração das tendências da dívida pública. A relação entre a dívida bruta brasileira e o PIB é igual a cerca de 60%, em comparação com índices médios de cerca de 45% para os países com classificação Baa2.
Tombini segue otimista mas agência de risco rebaixa nota do Brasil
Quinta, 03 de Outubro de 2013 às 08:01, por: CdB
O crescimento econômico do Brasil no terceiro trimestre não será tão fraco como se esperava anteriormente, disse nesta quinta-feira o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante uma conferência na capital do império britânico.
– Podemos ter um terceiro trimestre de acomodação, isto é esperado pelos participantes do mercado, mas será mais favorável do que as pessoas estavam esperando – afirmou.
Apesar do otimismo no discurso, agência de classificação Moody's reduziu, na véspera, a perspectiva de crédito do Brasil para "estável", ante "positiva", citando o fraco crescimento da economia brasileira. Para se contrapor ao julgamento dos economistas de um dos institutos envolvidos na quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, no auge da crise do capitalismo mundial, Tombini afirmou que a inflação no Brasil mostra sinais de recuo em direção ao centro da meta.
– A inflação está sob controle. Estamos trazendo ela para perto da meta – afirmou.
Segundo o Relatório Trimestral, o índice oficial de inflação IPCA subirá 5,8% neste ano pelo cenário de referência, ante previsão anterior de 6,0%, e 5,7% em 2014, ante estimativa anterior de 5,4%. A meta de inflação do governo é de 4,5%, com tolerância de 2 pontos percentuais.
Brasil rebaixado
Na noite passada, a agência de classificação de risco Moody's reduziu a perspectiva do rating soberano brasileiro para "estável", de "positiva", na noite de quarta-feira, citando a deterioração da relação dívida/PIB, o nível dos investimentos e o fraco crescimento. A Moody's reafirmou o crédito a "Baa2", o segundo grau mais baixo de investimento. A agência elevou a perspectiva do rating para "positiva" em 2011, e no fim do ano passado, tomou a decisão incomum de adiar um possível elevação da classificação de risco.
A decisão evidencia uma maior preocupação do mercado de que a economia brasileira – que no fim da década passada parecia estar entrando numa época de crescimento mais expressivo – está ficando atrás de outras economias emergentes.
– Apesar de haver sinais de que a economia brasileira está começando a se recuperar, a visão da Moody's é que, se e quando a recuperação se materializar, não é provável que será forte o suficiente para restaurar a tendência positiva nas métricas de crédito do Brasil – afirmou o analista de crédito soberano da Moody's Mauro Leos.
Em Londres, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, buscou minimizar a redução da perspectiva do rating brasileiro pela agência de classificação de risco Moody's, lembrando que o Brasil foi confirmado como "grau de investimento".
– A agência afirmou que temos grau de investimento. Com isso, duas das três maiores agências confirmaram que o Brasil é grau de investimento – comentou Tombini.
A Moody's, a Standard & Poor's e a Fitch Ratings atualmente classificam o Brasil no segundo menor grau de investimento, mas a Moody's era a única que mantinha uma perspectiva positiva. A S&P reduziu a perspectiva para negativa, ante estável, em junho.
'Desafios estruturais'
A assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda informou que não irá comentar a decisão da agência.
O analista da Moody's disse que, apesar de o Brasil enfrentar uma situação claramente menos favorável do que nos últimos meses, há elementos que dão suporte ao rating do país "quando comparado com os seus pares Baa3 de classificação inferior". Entre os elementos estão o relativamente administrável déficit em conta corrente, a capacidade de resistência a choques externos e o programa de investimentos de infraestrutura em curso.
Leos disse esta semana em um evento da Moody's que a economia brasileira deverá crescer cerca de 2,5% neste e no próximo ano. Esse cenário é causado por "desafios estruturais" como baixo investimento e gargalos de infraestrutura, o que significa que qualquer medida para melhorar os ratings do Brasil vai demandar ações de "longo prazo" pelo governo, ele acrescentou.
Um aspecto que tem preocupado as agências de crédito é a deterioração das tendências da dívida pública. A relação entre a dívida bruta brasileira e o PIB é igual a cerca de 60%, em comparação com índices médios de cerca de 45% para os países com classificação Baa2.