Tombini segue ao pé da letra as regras do mercado capitalista
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou em entrevista publicada neste domingo que o governo precisa definir "claramente" quais serão os ajustes fiscais e detalhar para a sociedade como serão alcançados.
– O ajuste fiscal não é insensível ao estado da economia. Tanto é que (o superávit primário) já não é mais 3,1 por cento (do PIB), está em outro nível. O importante é que o governo defina e, quando definir, forneça um detalhamento para a sociedade sobre como isso vai ser alcançado – disse o presidente do BC ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo.
Segundo Tombini, essa definição é importante para a retomada da confiança na economia. A queda da confiança de empresas e famílias foi apontada pelo BC como fator de risco para o crescimento econômico na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na última quinta-feira.
– É necessária uma reversão dessa confiança para a economia continuar no processo de recuperação gradual – afirmou Tombini.
Sobre o nível de atividade econômica, Tombini disse que o Produto Interno Bruto (PIB) "talvez cresça um pouco mais no segundo trimestre do que o 0,6% de janeiro a março."
Questionado sobre os meses de junho e julho, ele disse ainda não ter dados da economia, "mas parece que não está bom".
Câmbio e inflação
O presidente do BC reiterou que a inflação medida pelo IPCA deve terminar o ano abaixo da taxa do ano passado, que ficou em 5,84 por cento, e dentro da meta do governo, de 4,5 por cento com margem de dois pontos para cima ou para baixo.
Ele reforçou a visão do BC sobre o impacto da variação do câmbio na inflação, com efeito de 1 ponto percentual com uma desvalorização de 20 por cento do real ante o dólar. Para Tombini, um efeito dessa magnitude é "um caminhão de inflação".
Perguntado a respeito da redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos pelo Federal Reserve, banco central norte-americano, com consequente fuga de capital e pressão sobre o câmbio, Tombini sinalizou que não vê necessidade de elevar mais os juros em função do novo cenário.
– Não sei se há essa força toda no dólar. A situação da balança de pagamentos é muito confortável. Temos financiamento e o investimento estrangeiro é muito resistente. O dólar, além disso, já andou, o que tem efeitos na balança de pagamentos – disse.
Tombini acrescentou que o avanço da moeda norte-americana não afetará as empresas como na crise de 2008, quando o uso de derivativos financeiros fez algumas companhias sofrerem perdas bilionárias.
– Hoje conhecemos todas as estratégias, são 20 a 25, como opções exóticas, derivativos tóxicos, não tem nada parecido – disse.
O presidente do BC também afirmou que a crise de confiança nas empresas X, do bilionário Eike Batista, não é preocupante e não teria dimensão para reduzir a concessão de crédito pelos bancos credores do grupo.
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