Rio de Janeiro, 15 de Outubro de 2026

Tom cordial volta a marcar debate entre Paes e Gabeira

Quinta, 23 de Outubro de 2008 às 18:17, por: CdB

Poucas polêmicas sobre subúrbio, sambistas ou maconha. Desta vez, apenas algumas ironias e leves alfinetadas. Em mais um debate entre os candidatos à prefeitura do Rio, Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV), na sede do Jornal do Brasil, na Zona Norte do Rio, nesta quinta-feira, o tom cordial e respeitável que dominou os últimos encontros foi seguido à risca.

Ambos os candidatos chegaram com suas comitivas em cima da hora e Gabeira compareceu com seu costumeiro tom descontraído, vestindo calça e blazer jeans. Eles começaram respondendo questões previamente enviadas por entidades (Ordem dos Advogados do Brasil, Associação Brasileira de Imprensa, Federação das Associações de Moradores do Município do Rio de Janeiro e Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público - Abratec) e elas não fugiram à regra da pauta que faz parte da rotina dos cariocas: dengue, transporte público, desordem urbana, herança dos Jogos Pan-americanos, saneamento, entre tantos outros. 

Ao falarem sobre a experiência administrativa que podem carregar para suas possíveis gestões, Paes e Gabeira não economizaram. O peemedebista voltou a destacar sua trajetória de 16 anos de vida pública, quando começou como sub-prefeito da Barra e de Jacarepaguá até a Secretaria de Estado de Turismo, Esportes e Lazer, experiência que ele definiu como “enriquecedora”.

Já o candidato verde bateu na tecla da internet. Para ele, essa foi a grande mobilizadora de sua campanha, apesar dos recursos menores do que os do oponente. 
– Consegui fazer uma campanha limpa, sem sujar as ruas e com muito menos dinheiro. Em termos de custo-benefício, minha campanha é mais eficaz – disparou Gabeira.

Apesar da marcação de diferenças, muitos eram os pontos comuns entre as propostas dos candidatos. Sobre a zona portuária do Rio, cujas promessas de revitalização pela atual prefeitura pouco saíram do papel, os dois destacaram a importância da retomada da área.
– É importante que as alças de acesso e de transporte de carga do porto sejam melhoradas – afirmou o peemedebista.

Gabeira também insistiu na revitalização do local e enfatizou a importância da descoberta da camada pré-sal para as demandas do local. O candidato verde não perdeu a oportunidade de criticar a política de segurança do governador Sergio Cabral, principal cabo eleitoral de Paes, ao reiterar a afirmação contida na pergunta da Ordem dos Advogados do Brasil de que a política de confronto do estado é equivocada.
– Queremos apoiar o governo do estado na questão da segurança, mas entendemos que é preciso privilegiar a informação, a inteligência e reduzir o confronto. Sempre uso o exemplo de Ingrid Betancourt. Ela e outras vítimas foram resgatadas da selva colombiana sem um tiro sequer ter sido disparado. Já a polícia do Rio dá mais de 20 tiros em um carro com uma mulher e duas crianças e mata uma das crianças – criticou, em alusão à ex-refém das Farc e à morte do menino João Roberto.

Zona Oeste voltou a ser ponto de discórdia
Sobre a dengue e a desordem urbana, Paes garantiu que criará um gabinete da Dengue e a Secretaria da Ordem Pública. Em um dos momentos de leves trocas de farpas, Gabeira afirmou que não é necessário criar um novo órgão para cada problema que a cidade enfrentar. Paes rebateu dizendo que o gabinete da dengue não seria um novo órgão e que isso se trata de gerenciamento de crise, algo que quem entende minimamente de administração pública saberia.

As farpas foram aumentadas quando, ao questionar o adversário sobre os gastos do Pan, Gabeira disse que Paes parecia se orgulhar muito de ter participado da realização do evento enquanto foi Secretário.
– Realmente me orgulho de ter ajudado a fazer o Pan. Conseguimos, em tempo recorde, recuperar equipamentos que estavam péssimos, como o Maracanã e o Maracanãzinho. E vou buscar recuperar os outros equipamentos abandonados pela prefeitura – rebateu Paes.

A crise financeira mundial foi outro tema levantado por Paes e levou ambos a falarem sobre a necessidade de um possível corte de gastos por parte da prefeitura no próximo ano. A ligação entre o peemedebista, o governador e o presidente Lula também garantiu críticas de ambos os lados:
– É fundamental ter um pouco de alinhamento nos objetivos – disse Paes, que voltou a dizer que vai tirar o Rio do “isolamento político” em que a cidade vive.

Gabeira disse não acreditar, porém, que precisa ser o candidato oficial de ambos para garantir apoio e investimentos à cidade. Para o verde, os isolamentos aconteceram muito mais por causa das personalidades de prefeitos e governadores anteriores:
– Achar que o presidente e o governador não irão me respeitar só porque não sou o candidato deles chegar a ser um insulto aos dois.

Outro momento de ironias veio com a já batida “questão do subúrbio”. Ao ser perguntado por Gabeira sobre seus planos para a Zona Oeste, Paes enfatizou que a área é sua prioridade porque a conhece muito bem. Gabeira respondeu através de suas memórias: 
– Antes de ir para o exílio, eu já conhecia a Zona Oeste, pois ia dar aulas gratuitas em uma universidade de Campo Grande – devolveu.

Dos temas abordados aos agradecimentos finais, poucas foram as novidades. Afinal, em campanhas que estão em reta final, muito já foi dito. O próximo – e último – grande debate acontece nesta sexta (24), na Rede Globo. De concreto, apenas as últimas pesquisas Ibope e Datafolha que mostram que ambos estão tecnicamente empatados e que o resultado final só será mesmo definido no próximo domingo.

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