Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Tolmasquim diz que governo está reavaliando Plano Nacional de Energia que prevê construção de mais usinas nucleares

Sábado, 04 de Junho de 2011 às 00:05, por: CdB

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) está reavaliando o Plano Nacional de Energia até 2035, que projeta a construção de quatro usinas nucleares, disse hoje (3) o presidente da empresa, Mauricio Tolmasquim. “Hoje, é importante a gente estar olhando o que está acontecendo no mundo com a indústria nuclear”, afirmou. Segundo ele, o acidente no Japão faz com que todos os países reavaliem suas estratégias para o setor.

Em palestra no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Rio de Janeiro (Ibef/RJ), Tolmasquim informou que o Plano Decenal de Energia 2011/2020, que entrou ontem (2) em consulta pública, prevê apenas a construção de uma usina nuclear no país até aquela data, que é a Usina Angra 3, no momento em construção. “Depois de 2020, poderá ter [novas usinas]. Dependerá das análises que estão sendo feitas”, disse.

Ele destacou, entretanto, que o planejamento até 2035 vai considerar fatores novos que não eram tão relevantes quando de sua formulação, como o petróleo na camada pré-sal, que proporcionará maior oferta de petróleo e gás ao país, e a energia eólica, que já mostrou ser competitiva, em termos de preço e de produção. “O fator nuclear tem que ser considerado também, porque entraram fatos novos, o que não quer dizer que seja para não fazer”. Tolmasquim sustentou que a meta é privilegiar sempre as fontes renováveis de energia.

O presidente da EPE, pessoalmente, é a favor da continuidade dessa fonte energética no Brasil, para assegurar o domínio da tecnologia, embora reconheça que a geração de energia nuclear atualmente não é fundamental para o suprimento energético do país.

“A questão das plantas [nucleares] tem a ver mais com a questão da tecnologia do que com o suprimento energético. Abandonar a nuclear não me parece razoável, porque o Brasil tem uma série de vantagens com relação a essa fonte. É a sexta maior reserva de urânio do mundo. E dominar a tecnologia pode ser necessário no futuro. Então, a gente não deve abandonar”. Mas reafirmou que a construção de novas usinas pode ser estudada de forma cautelosa, com um cronograma que permita ao país assimilar as medidas de segurança necessárias.

A grande vantagem do Brasil, segundo enfatizou Tolmasquim, é ter no país uma diversidade de fontes de energia, o que permite “analisar o que está acontecendo e tomar as nossas decisões com calma”. Pessoalmente, ele acredita que não se deve tomar medidas precipitadas “nem para um lado, nem para o outro”.

 

Edição: Aécio Amado
 

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