É realmente necessária, e merece toda sustentação política, a decisão da ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, de levar de novo à sociedade a discussão sobre o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH), em especial sua determinação de trabalhar na defesa da aprovação pelo Congresso Nacional da Comissão da Verdade.
Ainda ontem, à noite, a vi em entrevista em que colocava muito bem sua posição em conversa com o jornalista Kennedy Alencar, na RedeTV!. É bom que ela tenha deflagrado esse processo já na chegada à Secretaria-Ministério, deixando tão claro seus propósitos e que essa discussão seja retomada.
Mesmo que a ministra Maria do Rosário consiga a aprovação do projeto dentro de curto espaço de tempo, o Brasil será um dos últimos países do mundo a ter vivido uma ditadura militar - por 21 anos (1964-1985) e encerrada já há 25 anos - a instaurar a sua Comissão da Verdade, que pode e deve levar, em processo simultâneo, ou até como desdobramento de sua criação, à abertura dos arquivos da repressão daquele período.
A experiência e a história mostram que nenhuma nação, vítima de longo regime autoritário como a nossa, superou esse trauma e cicatrizou suas feridas sem antes instalar uma Comissão da Verdade que apura, efetivamente, que via revelação dos arquivos do período, apura o que realmente aconteceu em termos de perseguição, tortura, crimes e o que de fato aconteceu com os desaparecidos políticos.
Boa sorte, Maria do Rosário! Torço para que o deputado José Genoíno (PT-SP), que até fevereiro decide se vai trabalhar com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, realmente aceite o convite porque ele, com certeza, tem grande contribuição a dar a esse processo. Desde o 1º dia de governo Lula e durante todo o tempo (2003-meados de 2005) em que fui chefe da Casa civil, sempre contei com o apoio do deputado nessa luta pró-abertura dos arquivos da repressão.
Foto retirada do site da Secretaria de Direitos Humanos.