Com o voto de 24 dos 30 desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ), o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) será processado por causa de um discurso na terça-feira, no Senado, quando falou sobre a "desmoralização da Justiça baiana". Ele referia-se à eleição para a Presidência do TJ, no início do mês.
As declarações do senador baiano foram indigestas para os desembargadores. ACM disse que o presidente do TRE e o arquiteto Fernando Frank, juntos com a desembargadora Aidil Conceição, embora tenha omitido o seu nome no discurso, estavam envolvidos em um escândalo eleitoral. De acordo com Magalhães, Conceição não teria aceitado uma jóia de alto valor. Ela devolveu o anel de brilhante recebido de presente do arquiteto pelo voto ao candidato vencedor da eleição, Benito Figueiredo. O político da Bahia pediu à Presidência do Senado que encaminhasse o caso ao Conselho Nacional de Justiça. O advogado de acusação já foi contratado. Trata-se do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral Fernando Neves.
Denúncia publicada em jornais da internet, no último domingo, apontava inclusive a existência de novos grampos ilegais na Bahia. A notícia dava conta, ainda, de que vários desembargadores foram presenteados por Frank.
- Aqui está a gravação e os responsáveis. Um se diz dono da Justiça baiana, que é o desembargador Carlos Cintra. É o diálogo de um corruptor com o irmão do desembargador Carlos Cintra, sobre a eleição no Tribunal. Mas, se quiserem ainda outra prova, o Conselho vai ter. Está aqui: a desembargadora e o corruptor e a carta da desembargadora que recebeu o anel de brilhantes no dia 29. O corruptor foi à sua casa para ter o voto e teve. E ela, então, só depois que saiu esse escândalo, devolveu o anel que recebeu do corruptor Fernando Frank - afirmou ACM no seu discurso.