Tizuka Yamasaki foi a grande vencedora do Festival de Gramado com quatro kikitos, incluindo o de melhor filme e de diretor para seu longa <i>Gaijin ama-me como sou</i>.
A diretora já havia vencido o prêmio em 1980 com o primeiro filme da saga sobre a imigração japonesa no Brasil, <i>Gaijin, caminhos da liberdade</i>, que obteve na época cinco prêmios, incluindo o de melhor filme.
A escolha de <i>Gaijin</i> como melhor filme foi uma grande surpresa, pois se comentava que os filmes gaúchos <i>Diário de dois mundos</i> e <i>Sal de prata</i> dividiriam os prêmios principais. Mas <i>Diários</i> ficou apenas com dois kikitos, roteiro e júri popular, e <i>Sal de prata</i> com um, o de montagem, para Giba Assis Brasil.
Além do prêmio de melhor filme, <i>Gaijin</i> ganhou os kikitos de direção, música - para Egberto Gismonti - e atriz coadjuvante, para a amadora Aya Ono, uma feirante de 77 anos que encantou o público com sua personagem da avó Titoe.
O filme <i>Cafundó</i>, que marca a estréia do ator Paulo Betti na direção, também levou quatro kikitos: prêmio especial do júri, direção de arte, fotografia e ator - para Lázaro Ramos. A crítica não esperava que Betti saísse de Gramado com uma colheita tão grande.
O filme <i>Carreiras</i>, de Domingos de Oliveira, ganhou o prêmio de melhor atriz para Priscila Rozenbaum. Desde que o filme foi exibido, o prêmio de Priscila era dado como certo. O mesmo ocorrendo com Lárazo Ramos, por sua atuação em <i>Cafundó</i>.
O prêmio de melhor documentário ficou com o brasileiro <i>Soy cuba, o mamute siberiano</i>, de Vicente Ferraz. Os filmes <i>Do luto à luta</i>, de Evaldo Mocarzel, e <i>Doutores da alegria</i>, de Mara Mourão, dividiram o prêmio especial do júri. O filme de Mara Mourão também ganhou o troféu do júri popular. No segmento Latino, escolheu como melhor filme o venezuelano <i>Punto y raya</i>.
Ao receber seu kikito, Mara lamentou que ao dividir a competição entre longas de ficção e documentários, a organização do festival não destinou aos competidores documentais os mesmos prêmios dados aos longas, como categorias técnicas, roteiro e direção.
Entre os longas latinos, o vencedor foi o filme <i>Por um mundo menos peor</i>, do argentino Alejandro Agresti, que levou os prêmios de melhor filme, direção e atriz (para Julieta Cardinali).
O filme mexicano <i>Um dia sem mexicanos</i>, de Sérgio Arau, ganhou o prêmio especial do júri. O kikito de ator foi para o venezuelano Roque Valero, por sua atuação em <i>Punto y raya</i>.
No segmento de curtas-metragens, o grande vencedor foi <i>Entre paredes</i>, de Eric Laurence, que ficou com os kikitos de melhor filme - <i>30 mm</i> - direção, montagem e aquisição do Canal Brasil - que dividiu com <i>Balaio</i>.