Vários clubes italianos da Primeira Divisão instaram as autoridades esportivas a penalizar nesta temporada as equipes Siena, Lecce e Chievo Verona por sua suposta implicação em uma rede de apostas ilegais.
As direções do Modena e do Empoli, dois times que lutam para não serem rebaixados, faltando uma rodada para o fim do campeonato, enviaram mais dez instâncias ao Comitê Olímpico italiano (CONI) e à Federação e à Liga de Futebol para que as equipes "atingidas" sejam imediatamente castigados.
"Está clara a responsabilidade dos clubes", indicou à imprensa italiana o advogado do Modena, Mattia Grassani.
Segundo a Procuradoria Antimáfia de Nápoles, uma dúzia de clubes, entre eles Siena, Lecce e Chievo, da Primeira Divisão, além de outros de Segunda e Terceira, teriam acertado os resultados de várias partidas nos últimos meses em favor de uma rede de apostas controlada pela máfia napolitana.
A policia realizou nesta terça-feira buscas nas sedes das equipes envolvidas e apreendeu documentos e material relacionados com a investigação.
Além dos clubes, as autoridades italianas investigam cinco jogadores: o ex-goleiro do Siena Generoso Rossi, cujo contrato rescindiu no mês passado; Nicola Ventola e Roberto D'Aversa, também do Siena; Salvatore Ambrosino, do Catanzaro, e Vincenzo Onorato, da Juve Stabia (Quarta Divisão).
Segundo fontes da investigação, nas buscas realizadas nas casas de alguns dos jogadores, a polícia encontrou vários recibos de apostas sobre partidas desta temporada, que deram prêmios de mais de 5.000 euros.
O Siena, que na rodada anterior garantiu sua permanência tem três de seus jogadores implicados e sua sede foi uma das primeiras a serem inspecionadas.
Na equipe toscana reina preocupação e mau humor por causa da possibilidade de estar na Segunda Divisão na próxima temporada, embora o presidente do clube, Paolo De Luca, insista em que a equipe é "parte prejudicada" e não está "implicada de maneira nenhuma".
O Siena é atualmente o 13º na tabela, com 34 pontos, quatro menos que o Lecce, frente aos 30 pontos do Modena e do Empoli. O Chievo Verona é o nono, com 41 pontos.
O escândalo atingiu também o Reggina (14º, com 34 pontos), da Primeira; o Ascoli e o Piacenza, da Segunda, e Catanzaro, Crotone, Fermana, Lumezzane, Sassari Torres e Taranto, da Terceira Divisão.
O Reggina garantiu através de um comunicado em seu site que é "absolutamente alheio aos fatos" e que a investigação "não evidência a implicação do clube nem de nenhum de seus membros, dirigentes, técnicos ou jogadores".
O vice-presidente da Federação Italiana de Futebol, Giancarlo Abete, mostrou-se consternado e preocupado pelo ocorrido e disse que "este fato terá conseqüências; o mais rápido possível for esclarecido, melhor".