Rio de Janeiro, 04 de Agosto de 2026

<i>Time</i> diz que Departamento de Defesa dos EUA distorceu dados sobre o Iraque

Domingo, 01 de Junho de 2003 às 20:08, por: CdB

O Departamento da Defesa dos Estados Unidos sempre optou pelas explicações mais alarmantes dos serviços secretos sobre o Iraque e passou por graves erros, o que levou a uma interpretação equivocada dos dados, segundo a revista Time. Num amplo artigo que analisa as razões pelas quais ainda não foram encontradas as armas de destruição em massa no Iraque, a Time explica que, desde o início, o processo foi mais dedutivo que empírico, já que se tomava o pior cenário como um fato, ignorando erros e ambigüidades. A revista, que estará nas bancas esta segunda-feira, baseia suas informações nos encontros com vários oficiais do serviço secreto americano, especialistas e funcionários do Pentágono e da CIA, a Agência Central de Informação. A reportagem ressalta que a CIA enviava ao Pentágono três formas de interpretar uma mesma informação, como uma fotografia de satélite ou uma conversa interceptada por telefone, e sempre se optava pela explicação mais grave. - Havia uma predisposição nesta Administração em assumir o pior sobre Saddam - revelou à revista um oficial militar reformado recentemente. Ele esteve envolvido no planejamento da guerra, mas deixou o serviço após chegar à conclusão de que os EUA iriam ao conflito com informações falsas. Outro oficial não identificado garantiu que o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, esteve "distorcendo profundamente" os dados, "quase de forma patológica". Um exemplo de que escolhiam o pior cenário foi quando chegaram à conclusão de que alguns canos de alumínio do Iraque eram para a produção de urânio para armas nucleares, embora especialistas do Departamento de Energia discordassem. A posse dos canos de alumínio foi uma das provas mencionadas pelo secretário de estado americano, Colin Powell, no Conselho de Segurança da ONU, para apoiar a posição americana a favor da guerra, sem levar em conta a opinião dos especialistas. Entre os erros sem explicação, estão as acusações de que o Iraque tinha tentado comprar urânio do Niger, cujos documentos nos quais a informação se baseava eram falsos. Depois, a Casa Branca disse que a informação vinha de mais de uma fonte e de um país, mas ainda se ignora qual, o que levou o comitê do Senado encarregado do tema a pedir uma investigação, de acordo com a Time. O diretor da CIA, George Tenet, defendeu há poucos dias a atuação de seus agentes e ressaltou que "uma coisa é coletar e analisar" a informação e outra é como a utilizam os políticos. A revista publica ainda declarações do responsável da Autoridade Civil Transitória no Iraque, o americano Paul Bremer, nas quais pede paciência, porque a reconstrução do Iraque necessitará de tempo, e comenta o impacto que tem o desaparecimento do presidente deposto, Saddam Hussein. - É importante que capturemos ou matemos Saddam, porque afeta a psicologia política do lugar - avalia Bremer, para quem o fato de que se desconhece seu paradeiro é "uma das razões para que vejamos um renascimento em pequenos grupos" do Baath, o antigo partido governante dissolvido pouco após o fim da guerra. O responsável da autoridade civil acrescenta que as forças dos Estados Unidos não estão obtendo informações precisas e a tempo para conseguir sua captura.

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