Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Tido como 'complacente' com a Venezuela, Shannon assume posto em Brasília

Após muita discussão no Congresso dos Estados Unidos, chegou a Brasília, nesta sexta-feira, o sorridente novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon. Bem-humorado e em um português fluente, ele agradeceu a presença da imprensa que o aguardava e disse que é um prazer estar de volta ao Brasil, onde serviu de 1989 a 1992. (Leia Mais)

Sexta, 08 de Janeiro de 2010 às 11:44, por: CdB

Após muita discussão no Congresso dos Estados Unidos, chegou a Brasília, nesta sexta-feira, o sorridente novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon. Bem-humorado e em um português fluente, ele agradeceu a presença da imprensa que o aguardava e disse que é um prazer estar de volta ao Brasil, onde serviu de 1989 a 1992. Shannon afirmou que se esforçará para aprofundar as relações com o governo brasileiro e elaborar uma agenda comum Brasil-Estados Unidos para o Século XXI.

– É um grande prazer estar de volta aqui no Brasil. É um país muito importante para nós. Vamos começar a trabalhar nesta sexta-feira, aprofundando a parceria para o Século XXI – disse o embaixador norte-americano. O diplomata já havia agendado a entrega de suas credenciais no Itamaraty para esta tarde.

Por quase oito meses, o Senado norte-americano protelou a aprovação do nome de Shannon por falta de consenso entre republicanos e democratas. Shannon foi indicado pelo presidente Barack Obama ainda quando ocupava a Subsecretaria do Departamento de Estado para as Américas. A indicação ocorreu em maio do ano passado, mas só em 24 de dezembro de 2009 houve a aprovação.

Shannon vai apresentar suas credenciais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias, mas ainda não há data definida. Para o governo brasileiro, a escolha de seu nome para comandar a Embaixada dos Estados Unidos é motivo de comemoração, já que Shannon é um dos melhores representantes da diplomacia norte-americana. Com uma extensa carreira diplomática, Shannon foi assistente da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Ele passou também pelas embaixadas da Venezuela – país que mantém uma tensa relação com os Estados Unidos – e África do Sul – exatamente no período das negociações pelo fim do apartheid (regime de segregação racial).

Até novembro de 2009, Shannon ocupava o cargo de subsecretário do Departamento de Estado para as Américas. A controvérsia em torno de sua indicação foi causada pelas divergências da política interna norte-americana. Os vetos ao seu nome - que foram retirados posteriormente – foram dos senadores republicanos Jim DeMint e George LeMieux.

Tanto DeMint quanto LeMieux discordavam das posições assumidas por Shannon na condução das negociações dos Estados Unidos para buscar um acordo pelo fim da crise política em Honduras. Os norte-americanos foram responsáveis pela intermediação de um acordo para que o presidente deposto hondurenha, Manuel Zelaya, retornasse ao poder. O acordo não foi efetivado.

Venezuela

Shannon, antes de vir para o Brasil, serviu como diretor de assuntos Interamericanos no Conselho Nacional de Segurança, entre 1999 e 2000, antes como conselheiro político na Embaixada dos Estados Unidos em Caracas, entre 96 e 99, o que lhe rendeu problemas com a bancada conservadora no Parlamento norte-americano, razão do atraso da aprovação do nome dele para a Embaixada no Brasil. Para os republicanos, Shannon seria "muito complacente" com a política do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

O novo embaixador norte-americano no país também foi attaché do Consulado Geral dos EUA em Johannesburgo, África do Sul, entre 92 e 96. Ele traz, em sua carreira, o período em que passou em Brasília, como assistente especial do embaixador dos EUA, entre 89 e 92, vindo de Camarões, no Gabão, após passar pela Guatemala e São Tomé e Príncipe, na África. Ele é doutorado pela Universidade de Oxford na cadeira de Política.

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