O Dalai Lama, visto por Pequim como um símbolo do separatismo tibetano, disse nesta quinta-feira que ele e seus seguidores estão dispostos a aceitar que a região continue a ser parte da China.
- Mais uma vez quero garantir às autoridades chinesas que, enquanto eu for responsável pelos assuntos do Tibet, continuamos completamente comprometidos com a visão de não procurar independência para o Tibet e desejamos continuar com a República Popular da China - disse o líder espiritual tibetano.
O Dalai Lama, que fugiu para a Índia em 1959 depois de um levante fracassado contra o regime chinês, fez os comentários durante uma declaração anual que marca o 46o. aniversário da revolta.
O líder, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1989 e que lidera um governo tibetano no exílio em Dharamsala, no Estado indiano de Himachal Pradesh, sustenta que deseja apenas mais autonomia para o povo tibetano.
- O Dalai Lama quer dar à China uma saída respeitável para o problema do Tibet - observou Vijay Kranti, especialista em Tibet de Nova Délhi.
- Mas os líderes chineses não entenderam tais iniciativas no passado. Duvido que irão responder de maneira positiva agora - acrescentou.
Em setembro do ano passado, Lodi Gyari, enviado do Dalai Lama, reuniu-se com autoridades chinesas em Pequim. Não houve contato direto entre exilados tibetanos e a China durante 20 anos depois da revolta, e o diálogo foi suspenso em 1993.
As negociações foram retomadas há dois anos e os lados debatem a permissão da volta do Dalai Lamai sob certas condições - um dos temas centrais do assunto.
No Nepal, mais de 100 monges e estudantes tibetanos se reuniram nesta quinta-feira em um monastério budista de Katmandu para lembrar o levante nacional.
- Temos que organizar o encontro dentro do monastério porque não temos permissão para organizá-lo em lugares públicos como fazíamos antes - disse Wangchuck Tsering, que participou da oração de uma hora.
Há mais de 20 mil tibetanos no Nepal, que faz fronteira com a região dominada pela China. Eles têm autorização para viver no reino, mas a atividade política contra Pequim é proibida.