Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Tibet incendeia lojas em protesto ao domínio chinês

Sexta, 14 de Março de 2008 às 07:16, por: CdB

Em um momento de novas ondas de protestos nas ruas no Tibet, lojas da cidade de Lhasa foram incendiadas, nessa sexta-feira. O incidente marca o quinto dia de protesto na capital do país, dominado pela China desde 1951.

Nos meses que antecedem os Jogos Olímpicos de Pequim, as críticas acerca do domínio chinês ao remoto e budista país se fortalecem e as manifestações tomam conta da região, como uma forma de lembrar do 49º aniversário, completados na última segunda-feira, da frustrada revolta tibetana contra o governo comunista chinês.

Os soldados do Exército de Libertação Popular enviados à região pelo governo chinês não foram capazes de impedir a revolta dos manifestantes liderados por cerca de 500 monges budistas.

- A polícia está em todos lugares. Há grandes problemas. - disse o dono de um café de Lhasa por telefone.

Segundo uma testemunha, na sexta-feira entre 300 e 400 monges e moradores protestaram em Lhasa.

- Alguns estão bravos e outros assustados. As forças de segurança estão vasculhando as casas para ver se há monges escondidos - disse a fonte que mantém contato com moradores do Tibet.

Centenas de monges do mosteiro de Labrang na província de Gansu, sudoeste do país, também promoveram uma marcha até a cidade de Xiahe, segundo a Free Tibet Campaign e foram inteceptados pela polícia chinesa. Mais de 10 monges foram presos e tanques patrulham a praça próxima ao palácio Potala, uma das maiores obras arquitetônicas do mundo que já foi a residência de inverno do líder espiritual tibetano Dalai Lama.

Até 1950 o Tibete, localizado no sudoeste da China, próximo à fronteira com Nepal, Butão e Índia, era um Estado religioso independente, até que as forças de Mao Tsé-Tung invadiram e anexaram a região à China. O então líder local, o jovem Dalai Lama, precisou se exilar na Índia onde vive até hoje e de onde luta pelo reconhecimento da independência de sua terra natal.

Apelo do Dalai Lama

O Dalai Lama apelou às lideranças chinesas nesta sexta-feira que parem de usar a "força bruta" contra os manifestantes tibetanos.

- Esses protestos são uma manifestação do profundo ressentimento do povo tibetano em relação ao governo atual. Então, eu apelo à liderança chinesa que pare de usar a força e preste atenção no ressentimento do povo tibetano, dialogando com o povo tibetano - disse o líder espiritual.

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