Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Tibet dá ultimato para manifestantes se entregarem

O governo da região autônoma do Tibet, apoiado pela China, estabeleceu um prazo até a meia-noite da segunda-feira para que os envolvidos nas manifestações da sexta-feira se entreguem. Em um comunicado neste sábado, representantes do Poder Judiciário do Tibet disseram que eximirão de punições aqueles que se arrependerem - e responderão "com força" aos que não o fizerem. (Leia Mais)

Sábado, 15 de Março de 2008 às 10:49, por: CdB

O governo da região autônoma do Tibet, apoiado pela China, estabeleceu um prazo até a meia-noite da segunda-feira para que os envolvidos nas manifestações da sexta-feira se entreguem.
Em um comunicado neste sábado, representantes do Poder Judiciário do Tibet disseram que eximirão de punições aqueles que se arrependerem - e responderão "com força" aos que não o fizerem.

O governo afirma que dez pessoas morreram durante os protestos que ocorreram na sexta-feira contra os mais de 50 anos de domínio chinês no Tibet - boatos de que este número seria até dez vezes maior são difíceis de confirmar, disse o correspondente da BBC em Pequim Dan Griffiths.

Na nota deste sábado, as autoridades dizem que os manifestantes atearam fogo a escolas, hospitais, lojas e casas, no que chamaram "uma conspiração política planejada pelo Dalai para separar o Tibet da pátria-mãe e sabotar a vida pacífica e harmônica de todos os grupos étnicos no Tibet".

Os violentos choques da sexta-feira encerraram uma semana inteira de manifestações contra a China. Os protestos têm sido apontados como os maiores e mais violentos dos últimos 20 anos no Tibet.

Os manifestantes perseguiram chineses que vivem na cidade, acenderam fogueiras para incendiar seus pertences, realizaram saques e queimaram lojas. De acordo com testemunhas, os manifestantes assumiram o controle do centro velho da cidade de Lhasa.

Dalai

As autoridades chinesas acusaram o líder espiritual do Tibet, o Dalai Lama, de organizar os protestos.

"Houve suficientes sinais que provam que a recente sabotagem em Lhasa foi organizada, premeditada e planejada pelo bando do Dalai", diz uma mensagem do governo regional do Tibet divulgada pela Xinhua.

Um porta-voz do líder espiritual tibetano rebateu a declaração e disse que as acusações são "totalmente infundadas".

Mais cedo, o Dalai Lama divulgou uma mensagem em que manifestou preocupação com os recentes episódios de violência no território.

O líder espiritual, que na Índia lidera o governo tibetano no exílio, pediu que o governo chinês "pare de usar a força e inicie um diálogo com o povo tibetano para minimizar o ressentimento há muito crescente".

"Eu também peço a meus colegas tibetanos que não façam uso da violência", completou o Dalai Lama.

Adesão

Os protestos começaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês.

Centenas de monges tomaram então as ruas, e os protestos ganharam força nos últimos dias, com a adesão de pessoas comuns.

Outros protestos foram registrados inclusive fora do Tibet – há informações de que centenas de monges realizaram uma marcha na província chinesa de Gansu, e, na Índia, a polícia prendeu cerca de 25 pessoas que tentaram invadir a embaixada chinesa em Déli.

Autoridades de países europeus e em Washington pediram que a China seja tolerante com os manifestantes.

Em um comunicado, Louise Arbour, a alta comissária da ONU para direitos humanos, também pediu a Pequim que "permita que os manifestantes exercitem seu direito de liberdade de expressão e reunião, sem fazer qualquer uso excessivo da força na manutenção da ordem".

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