Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Thomaz Bastos diz não caber à PF abrir inquérito sobre Celso Daniel

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse que não é competência da Polícia Federal abrir, por iniciativa própria, um inquérito para investigar a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), assassinado após um sequestro em janeiro de 2002. "Acredito que isso não seja de competência da Polícia Federal", disse o ministro. (Leia Mais)

Quinta, 11 de Dezembro de 2003 às 08:02, por: CdB

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse que não é competência da Polícia Federal abrir, por iniciativa própria, um inquérito para investigar a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), assassinado após um sequestro em janeiro de 2002. "Acredito que isso não seja de competência da Polícia Federal", disse o ministro.

Na avaliação de Thomaz Bastos, seria preciso um pedido da Justiça para que a PF voltasse a investigar o caso. Ao fazer a avaliação, o ministro ainda não sabia do recebimento da denúncia pela Justiça paulista. De acordo com ele, outro motivo para a PF não abrir uma investigação sobre o caso é que o assunto "já passou da fase policial", por estar com o juiz.

"Se a Polícia Federal fosse solicitada, ela entraria [no caso]. Mas isso está em juízo, já passou da fase policial", disse. 

Segundo o Ministério Público Estadual, Sérgio Gomes da Silva, amigo pessoal que acompanhava Daniel na noite do sequestro, foi um dos mandantes do homicídio.

O fato de Daniel ter atuado ativamente nos preparativos à eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, cuidando de seu plano de governo, torna o assunto delicado à cúpula do governo. O caso toma contornos mais polêmicos diante da diferença de conclusões da Polícia Civil e do Ministério Público.

A polícia concluiu que o crime foi comum, e os promotores, que o esquema de cobrança de propina em Santo André seria o motivo do assassinato. O ministro da Justiça deu a entender ontem que concorda com a tese da polícia.

"A polícia do Estado fez uma investigação exaustiva e chegou a outra conclusão", afirmou Thomaz Bastos. Disse ainda que "o PT sempre achou que a versão correta [do assassinato] é aquela que a polícia de São Paulo apurou". Segundo o ministro, o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) "tem dito isso sempre".

Ao saber da denúncia, Thomaz Bastos disse que não conhece as provas obtidas na apuração do Ministério Público contra Gomes da Silva e, por isso, não comentaria a questão.

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