O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse na noite da última segunda-feira, depois de audiência no Senado para debater a segurança pública no país, que a rebelião ocorrida no presídio Urso Branco, em Rondônia, foi uma tragédia.
Ele anunciou para esta terça-feira o início de uma grande operação policial no estado. Perguntado se não há falta de autoridade no país, o ministro disse que o estado de direito está assegurado.
- Não é uma questão de falta de autoridade. O estado de direito está absolutamente mantido. As questões se acumularam no Brasil muito tempo - afirmou.
O ministro disse que o Ministério da Justiça estava promovendo um mutirão no presídio Urso Branco para rever as penas dos presos.
- O problema de Rondônia é uma tragédia. Estamos acompanhando aquela questão há muito tempo, e tomando medidas. Amanhã mesmo vai haver uma operação importante em Rondônia. Olhando para o Urso Branco, é deplorável o que aconteceu ali. Estávamos investindo fortemente naquele presídio. Assinamos um convênio, estamos fazendo um mutirão para regularizar as penas e vencimentos de penas. Fizemos dois convênios de emergência, para a construção de dois presídios. Estamos dando uma atenção muito grande a Rondônia - afirmou o ministro.
Ele atribuiu o motim dos presos a um problema na hora das visitas e à superlotação do presídio:
- Parece que foi um estouro, por uma questão de visita. Lá há superlotação e muitas penas vencidas. O mutirão há mais de um mês tentava exatamente regularizar a situação. O diretor do Departamento Penitenciário foi lá várias vezes.
Bastos comentou com uma frase do filósofo francês Jean-Paul Sartre a situação da reserva Roosevelt, também em Rondônia, onde houve um massacre de garimpeiros. A área é dominada pelos índios da tribo cinta larga.
- Há uma frase de Sartre que diz assim: meio cúmplice, meio vítima, como todo mundo. O governo acompanhava a situação. Fez várias operações para tirar garimpeiros da área, mas acabou acontecendo aquela tragédia. Tínhamos consciência da gravidade da situação, tomamos providências e vamos tomar outras. Mas em nenhum momento houve omissão do governo federal - falou.
Thomas Bastos considera a rebelião de Rondônia uma tragédia
Terça, 20 de Abril de 2004 às 02:14, por: CdB