Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

Theatro Municipal comemora 97 anos com espetáculo inédito

Quinta, 20 de Julho de 2006 às 08:41, por: CdB

No mês em que completa 97 anos de fundação, o Theatro Municipal apresenta um grandioso espetáculo: a ópera italiana I Capuleti ed i Montecchi, de 1830. É a primeira vez, desde 1844, que esta obra é apresentada no Rio. O espetáculo estréia, nesta sexta-feira, às 20h.

A ópera, de Felice Romani e Vicenzo Bellini, é inspirada em Romeu e Julieta, de William Shakespeare, um clássico da literatura mundial, e ganha com essa nova montagem uma versão contemporânea, com cenário virtual do designer Muti Randolph, responsável pela iluminação e projeções, e figurino andrógino assinado pela estilista Alice Tapajós.

A presidente do Theatro, Helena Severo, tinha um desejo antigo de trazer para o Municipal uma montagem de ópera que fosse contemporânea e que atraísse um público jovem, mas que ao mesmo tempo não decepcionasse os mais tradicionais.

- Vamos apresentar uma proposta inovadora e surpreender nos cenários e nos figurinos - promete.

Helena acredita que será um marco, já que I Capuleti ed i Montecchi é uma ópera praticamente inédita no Brasil. Com direção de Ana Kfouri e regência do maestro Silvio Barbato, o espetáculo terá o Coro e a Orquestra Sinfônica da casa, reunindo 70 músicos e 100 integrantes.

Na opinião do maestro, essa ópera é um título que não pode faltar no repertório de uma companhia como a do Theatro Municipal do Rio.

- Temos o que há de melhor em ópera no Brasil. Já estava na hora de apresentarmos esse espetáculo que é tão expressivo no cenário mundial - defende.

Para a diretora, o Theatro Municipal é o espaço ideal para fazer essa encenação por conta de seus balcões, camarotes e do próprio palco. Ana Kfouri pretende fazer com que o público vivencie a ópera e não só a contemple.

-  Os aposentos de Julieta e dos Capuleti são os camarotes principais e toda a parte externa do palácio é freqüentada pelos convidados da família, que são os espectadores que ocupam a platéia, os balcões, as galerias e os outros camarotes - explica.

O espetáculo promete ainda outras surpresas. Uma delas ficará por conta dos figurinos. A estilista Alice Tapajós procurou montar um visual moderno sem perder a referência.

-  É contemporâneo, mas todo mundo vai saber que são Romeu e Julieta -  diz. Assim como Ana Kfouri, que é diretora de teatro e roteirista, Alice também é estreante no universo das óperas e não vê a hora de conferir o resultado final do seu trabalho.

Outro ineditismo do espetáculo será o fato de que pela primeira vez no mundo será usada, em uma ópera, uma tecnologia desenvolvida pelo próprio cenógrafo, que permite que o vídeo projetado interaja diretamente com as vozes e instrumentos, traduzindo a música em imagens em tempo real. Apresentado com cenários virtuais, as intervenções cenográficas externas serão elementos vazados que receberão projeções.

- O público verá o palco do Municipal escancarado, livre de tapadeiras, bambolinas, e revestimentos de piso, revelando toda a sua amplidão, o assoalho original e a sua centenária maquinaria - revela o designer Muti.

Outra curiosidade é que o espetáculo não segue a narrativa da peça de Shakespeare. A história começa a ser contada com os jovens amantes separados.

- Nossa ópera encena, nos tempos atuais, a constante luta do homem pelo poder, ou melhor, por mais poder - resume Ana.

As apresentações acontecerão nos dias 21, 28, 31 de julho e 1 de agosto às 20h; no dia 22 às 17h; no dia 29, às 15h, e, nos dias 23 e 30, às 11h, dentro do projeto Domingo no Municipal, com ingresso a R$ 1.

Tags:
Edições digital e impressa