A promotoria britânica anunciou, nesta terça-feira, que a decisão sobre um possível processo contra os policiais que participaram da operação que resultou na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, atingido por vários tiros diante de uma estação de metrô de Londres ao ser confundido com um terrorista, será anunciada em algumas semanas. Os promotores informaram que esperam anunciar as conclusões da investigação sobre este caso no final do próximo mês ou início de junho.
Segundo o diário britânico The Sun, em sua edição desta terça-feira, que cita uma fonte não identificada da promotoria britânica, não existem provas suficientes para demonstrar que houve crime na morte do brasileiro, assassinado em 22 de julho de 2005, um dia depois das tentativas frustradas de atentados contra os serviços de transportes públicos de Londres.
O jornal acrescentou que, de acordo com a mesma fonte, nem os agentes que abriram fogo contra o eletricista de 27 anos na estação do metrô de Stockwell, Zona Sul da capital inglesa, ou os coordenadores da operação serão acusados por qualquer crime.
- Erros foram cometidos, mas não suficientes para qualificá-los de comportamento criminal. Os policiais armados agiram sob ordens. Os responsáveis pela vigilância acreditavam que se tratava de um suspeito. Não há uma perspectiva realista de que sejam julgados - disse a fonte citada pelo Sun, identificada como uma "autoridade legal".
O Sun destaca, porém, que o chefe da polícia metropolitana de Londres, o comissário Ian Blair, pode arcar com as conseqüências do erro que custou a vida do brasileiro. Os familiares e amigos de Jean Charles de Menezes pediram em várias ocasiões a demissão de Ian Blair.
De acordo com outro jornal londrino, o Guardian, um importante membro da polícia metropolitana, que bateu de frente com o comando em várias oportunidades sobre o assassinato do brasileiro, pode perder o cargo. De acordo com diferentes fontes, nos últimos 15 dias Brian Paddick foi informado por seus superiores de que terá de deixar seu cargo de coordenador do policiamento de Londres.
O brasileiro foi morto por sete disparos de policiais que o tomaram por um terrorista um dia depois dos ataques frustrados de 21 de julho, uma tentativa de repetir os atentados de 7 de julho, que mataram 52 pessoas, além dos quatro terroristas.