Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

<i>The Police</i>, um show para idoso nenhum botar defeito

O Maracanã, na festa que reuniu cerca de 25 mil fãs do grupo inglês The Police, nunca foi um espaço tão democrático para os trintões, quarentões e cinquentões que lotaram o gramado. (Leia Mais)

Domingo, 09 de Dezembro de 2007 às 16:29, por: CdB

O Maracanã, na festa que reuniu cerca de 25 mil fãs do grupo inglês The Police, nunca foi um espaço tão democrático para os trintões, quarentões e cinquentões que lotaram o gramado. Os vips não paravam de chegar ao Estádio, com suas camisetas pretas, para curtir as mesmas emoções que o público, já um tanto grisalho, viveu até a madrugada deste domingo. Selton Mello, que chegou bem adiantado ao local, disse que começou a ouvir o grupo aos 15 anos, mas somente aos 18 é que se tornou fã.

- Adoro o som deles principalmente porque o baterista, Stuart Copeland, compõe músicas para cinema - lembrou.

Com o campo do Maracanã lotado de cabelos grisalhos e uma legião de novos fãs, o The Police lavou a alma no seu primeiro show em 25 anos no Brasil. Som impecável, visual impactante e uma lista de clássicos que todos queriam ouvir fizeram a festa das quase 70 mil pessoas que, mesmo sob o risco de uma chuva que não caiu, festejaram com a banda a última parada deste ano na Reunion Tour, turnê global iniciada em maio no Canadá.

A escolha acertada da abertura feita pelo Paralamas do Sucesso, filho do rock-reggae do grupo inglês, esquentou a platéia e arrancou um coro maior do que se veria em seguida com a banda principal. Com a barreira da língua, a inflamada platéia só arriscou soltar a voz em refrões de grandes sucessos como De do do do de dada da e Roxanne.

Gabriela Duarte, também na platéia, elegeu a a música Every Breath You Take como a sua predileta.

- É um show histórico. Tenho que aproveitar porque não sei se terei outra oportunidade de vê-los cantar minha música predileta e um show deles aqui no Brasil tem um gostinho especial - disse a atriz.

Deixadas de lado as falhas na infra-estrutura (apenas poucos pontos no gramado vendiam bebidas, ocasionando filas gigantescas, e uma das portas de saída fechada ao final do show), os três vovôs do rock uniram gerações por duas horas sem intervalos, mostrando um vigor de meninos desde a pontual abertura, às 21h30, com Message in a bottle, até o fechamento com Next to you, que encantou a platéia.

- Minha mãe que gostava e colocava em casa, acabei curtindo também - contou a jornalistas Mariana Teles, 20 anos, acompanhada de mais cinco meninas ensopadas de suor e sorrisos para o palco.

A festa deste ano começou com o baterista Stewart Copeland, destaque da noite, tocando um enorme congo no palco cercado por telões e painéis eletrônicos. O chamado de Copeland trouxe o guitarrista Andy Summers ao palco, que por sua vez deu os primeiros acordes de Message in a bottle, puxando a estrela Sting para o palco. Perto de completar 60 anos, Sting mostrou que sua voz está quase igual a de 25 anos atrás, não fosse um estilo mais contido, principalmente nos agudos.

- Nem se compara ao show de 1982, lá não tinha ninguém e o som era péssimo - disse Antonio Jorge Figueira, 56 anos, que viu o trio no Maracanãzinho, há 25 anos, quando o público não chegou a 5 mil pessoas.

As imagens de alta definição dos telões foram um show à parte, com detalhes como o estado envelhecido do baixo de Sting e a descoberta de um distintivo policial pregado nele, ou ainda as pulseiras de ouro enfileiradas no braço do cantor que a toda hora se destacavam na grande tela.

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