Rio de Janeiro, 16 de Fevereiro de 2026

<i>The Guardian</i> diz que Rio é a cidade dos desaparecidos

Sexta, 07 de Setembro de 2007 às 10:41, por: CdB

Reportagem publicada na edição desta quinta-feira no jornal britânico The Guardian, de autoria do correspondente Tom Phillips, afirma que o Rio de Janeiro é uma cidade marcada pelo desaparecimento de pessoas, principalmente por causa da violência. Segundo a publicação, de 1993 para cá cerca de 10 mil pessoas teriam desaparecido e mais de sete mil pessoas teriam sido mortas por envolvimento com o tráfico de drogas, grupos de extermínio e policiais corruptos.

Para o sociólogo Geraldo Tadeu Monteiro, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), a grande maioria dos casos de desaparecimentos está ligada a outro tipo de delito, como homicídio, seqüestro, rapto ou extorsão. Ele acredita que em 95% dos casos a pessoa procurada está morta. 

Segundo ele, o número tão elevado de desaparecidos está ligado à falta de uma boa estrutura para a investigação e a falta de interesse da polícia, que só se emprenharia em resolver os casos de maior repercussão na mídia. Para barrar o crescimento desses índices, Monteiro sugere diminuir a violência policial, controlar o comércio e o desvio de armas e o combate aos grupos armados.

O gerente do programa SOS Criança Desaparecida, da Fundação para a Infância e a Adolescência (FIA), Luiz Henrique Oliveira, disse que se houvesse uma mudança na legislação haveria possibilidade de diminuir o número de desaparecidos na cidade. Atualmente, uma pessoa só é dada como desaparecida 15 dias após o registro policial.

- Se os registros se transformassem imediatamente em inquérito, acredito que teríamos condições de reduzir bastante o percentual de desaparecidos - disse Oliveira, lembrando que no caso de crianças e adolescentes de até 18 anos, a maioria foge de casa por causa de maus tratos. Em 11 anos, a FIA conseguiu resolver 84% dos casos. Atualmente, 413 jovens estão sendo procurados pelas famílias.

O assessor de Políticas Comunitárias do Movimento Viva Rio, Carlos Costa, não tem dúvidas de que o grande número de desaparecimentos está diretamente ligado à violência urbana.

- Não tenho noção se os dados do The Guardian estão corretos. Mas trabalhando junto às comunidades carentes a gente percebe que a violência é crescente e que uma das marcas que ela deixa é o desaparecimento de pessoas. Isso é preocupante - disse Costa.

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