O responsável pela funerária contratada para fazer o enterro da aposentada Maria José Neves, 72 anos - que ficou 4 horas no necrotério viva - prestou depoimento, nesta terça-feira, como testemunha, na 58ª DP do Rio de Janeiro. Luciano dos Santos, 40 anos, disse que em 15 anos de profissão nunca viu um caso assim. Maria José ficou durante quatro horas no necrotério, dentro de um saco plástico. Apesar de considerada morta, ela ainda estava viva. Maria José morreu somente à noite, depois de retornar ao hospital.
- Entrei no necrotério com os familiares e com o funcionário do hospital para reconhecimento do corpo. Quando estava abrindo a urna os parentes disseram que a mulher estava viva. Me aproximei e ela estava ofegante. Tive que acalmar os parentes - disse.
Luciano lembra que, pelo menos, quatro pessoas viram a aposentada antes da família.
- Tem o funcionário que fez a sutura das mãos e dos pés, o maqueiro e os funcionários que a colocaram no saco - disse o funcionário da funerária.
O delegado da 58ª DP, Roberto Cardoso, disse que ouvirá médicos e funcionários do hospital.
- Pelo relato da família houve negligência e o responsável poderá ser indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar) - afirmou o delegado.